Filipa lowndes vicente a a rte sem his


A S D ÉC A DA S DA S I NTE R ROGAÇÕ E S



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A S D ÉC A DA S DA S I NTE R ROGAÇÕ E S


A A RTE S E M H I STÓ R I A
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percentagens de acordo com o sexo e com a etnia. “Que interessante, 
que radical”, disse a galerista, “deixem-me pensar, depois respondo”. 
Nunca mais as contactou. As GG vieram provar, de uma forma clara 
e divertida, que o argumento da “qualidade” sobre o da “quantidade” 
é falacioso e não é acidental. Não foi por acaso que a qualidade, ou 
a sua ausência, serviu tantas vezes para afastar as mulheres ou pes-
soas não-brancas e que, como afirma uma delas, “qualquer veterano 
do movimento dos direitos civis, das mulheres ou dos homossexuais 
sabe que o progresso é o resultado de protestos e luta”. Sempre com 
ironia, continuaram a negar ser defensoras de um sistema de quotas, 
até porque, como disse “Georgia O’Keeffe”, “para equilibrar aquilo 
que tem acontecido na história da arte, todas as exposições deveriam 
ter 99% de mulheres e de artistas não-brancos, mas apenas nos próxi-
mos quatrocentos anos”
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Argumentando  que  a  construção  da  história  é  humana  e  não 
“natural” e que, como tal, está sujeita a revisões, releituras e reescri-
tas, o segundo livro das GG pretende ser um 
Bedside Companion to 
the History of Western Art
31
. O livro evita uma linguagem académica e 
teórica e assume-se de divulgação simples e acessível. Num percurso 
restringido ao mundo ocidental, que vai da Grécia e da Roma anti-
gas ao século XX, o livro revela mulheres artistas, em “quantidade” e 
“qualidade”, que foram ignoradas pelas tradicionais histórias da arte – 
de Hildegarda von Bingen a Artemisia Gentileschi, de Julia Margaret 
Cameron a Hanna Hoch –, e faz algumas perguntas semelhantes às 
feitas desde os anos 70 por várias historiadoras. Como é que é pos-
sível que, de um número tão significativo de mulheres artistas, tão 
poucas façam parte dos compêndios de história da arte? Como é que 
é possível que Plínio, o Velho, no século I, Boccaccio, no século XIV, 
ou  Vasari,  no  século  XVI,  mencionem  mais  mulheres  artistas  nos 
seus textos do que alguns dos mais famosos historiadores da arte do 
século XX, como Janson

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