Filipa lowndes vicente a a rte sem his



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. O recurso 
28.
    Mira Schor, “Anonymity as a Political Tactic: Art blogs, Feminism, Writing 


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a umas máscaras de gorilas, agressivas e sem género, resolveu o pro-
blema da identidade física, constituiu-se na sua imagem de marca, ao 
mesmo tempo que funcionou como uma protecção contra possíveis 
retaliações e lhes permitiu diversificar a natureza das suas interven-
ções. Possibilitou-lhes também jogar com o seu nome – “guerrilla”, ou 
seja, “guerrilha”, e “gorila” em inglês têm a mesma fonética. Afinal, as 
GG são artistas, trabalham em museus e galerias, são historiadoras ou 
críticas de arte, escritoras ou realizadoras de cinema e sabem que, se 
a sua identidade fosse revelada, poderiam passar a ser elas as vítimas 
da discriminação sexual e racial que criticavam no mundo das artes.  
A máscara também pode ser associada, como elas próprias sublinham, 
às personagens “boas” da banda desenhada e aos mais necessitados. 
Mas a própria opção pelo anonimato não deixa de ser parado-
xal: por um lado, as GG lutam precisamente pelo fim da invisibili-
dade de tantas mulheres artistas, anónimas não por opção, mas por 
condicionantes  sociais  e  históricas  –  “anónima  era  uma  mulher”, 
como escrevia Virginia Woolf; por outro lado, elas transformam o 
anonimato numa escolha e não num destino. No entanto, esta é tam-
bém uma escolha determinada pelas mesmas características sociais 
e culturais que elas denunciam. Não será a máscara a única forma de 
dizerem o indizível e de denunciarem as convenções com uma liber-
dade que a revelação das suas identidades poria em risco? Será que a 
necessidade da máscara não vem demonstrar que um debate aberto 
sobre a discriminação ainda existente no universo artístico continua 
a ser uma utopia? Por outro lado, se a ausência de anonimato poderia 
fazer delas as vítimas que elas pretendem resgatar, a interferência das 
suas personalidades e dos seus trabalhos individuais (muitas delas 
são artistas) também poderia criar conflitos de egos e sensibilidades 
e retirar-lhes a força da voz comum.
Um dos objectivos das GG foi identificar o grau de discrimina-
ção a que as mulheres e as pessoas de etnias que não a branca ainda 
estavam sujeitas no mundo artístico. O trabalho de casa era simples, 
consistia em fazer contas e comparações. Os objectos de estudo po-
diam  ser  múltiplos:  exposições,  museus,  galerias,  leiloeiras,  livros 
de história da arte, revistas de arte e outros espaços de construção 
and Politics”, A Decade of Negative Thinking. Essays on art, politics, and daily life 
(Durham e Londres: Duke University Press, 2009), pp. 36-46.

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