Filipa lowndes vicente a a rte sem his


A A RTE S E M H I STÓ R I A



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A A RTE S E M H I STÓ R I A
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era, como veremos em numerosos exemplos, uma atitude posterior não 
menos eficaz. Existem vários casos de mulheres artistas do século XVI 
ao século XIX que, em vida, tiveram tudo aquilo que se considera essen-
cial para a consolidação de uma carreira artística – apreciações positivas, 
encomendas, comissões nacionais e internacionais, valores elevados de 
venda, medalhas ou prémios oficiais e reconhecimento entre os pares – 
e que, mais tarde, a história se encarregou de silenciar. 
Embora o contexto californiano tenha sido especialmente favorá-
vel a estas iniciativas, elas tiveram lugar em muitos outros lugares e tam-
bém em Portugal, como é o caso da mostra e do colóquio organizados, 
no princípio de 1977, na Sociedade Nacional de Belas-Artes, no mesmo 
ano em que também decorreu em Lisboa a exposição 
Alternativa Zero
na Galeria Nacional de Arte Moderna
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. Com a colaboração de várias 
pessoas, mas organizada por Emília Nadal, Sílvia Chicó e Clara Mené-
res, esta iniciativa centrou-se nas artes plásticas e promoveu muitas ou-
tras manifestações culturais protagonizadas por mulheres. O principal 
evento  consistiu  numa  exposição  temporária  de  artistas  portuguesas 
contemporâneas na Sociedade Nacional de Belas-Artes, ao mesmo tem-
po que o Museu de Arte Contemporânea organizava uma exposição de 
artistas portuguesas desaparecidas
20
. Estas iniciativas constituíram tam-
bém a resposta portuguesa às duas exposições itinerantes de mulheres 
artistas americanas contemporâneas que se encontravam de passagem 
por Lisboa. Na introdução do pequeno catálogo, cuja simplicidade re-
flecte a marginalidade, também económica, deste tipo de eventos, Sílvia 
Chicó começou por afirmar que estas iniciativas não pretendiam assu-
mir “um carácter feminista”, mas, corrige logo, “não podiam deixar de o 
ser”. Até porque a polémica e as críticas geradas obrigaram-nas a reafir-
mar a sua posição. O evento nacional, onde dois dos temas debatidos 
se centraram na discriminação e na especificidade da criação artística  
19.
    Artistas Portuguesas, apres. de Maria de Lourdes Bartholo, introd. de Sílvia 
Chicó, trad. de Françoise Bandeira e Robin Fior (Lisboa, Sociedade Nacional de 
Belas-Artes, 1977), Catálogo de Exposição. Ver também a exposição organizada no 
mesmo lugar, mas em 1942: I Exposição Feminina de Artes Plásticas (Lisboa: Bertrand, 
1942), Catálogo de Exposição. Algumas das artistas representadas: Aurélia de Sousa, 
Theodora Andresen de Abreu, Emília Santos Braga, Maria de Lourdes de Melo 
e Castro, Adelaide Lima Cruz, Milly Possoz, Sarah Affonso, Maria Eduarda Lapa, 
Simone Maia Loureiro, Alda Machado Santos e Raquel Roque Gameiro.
20.
    Artistas Portuguesas, Museu Nacional de Arte Contemporânea, 1977. 
Pelo que depreendi, trata-se da mesma exposição/organização. Não encontrei 
nenhuma documentação publicada sobre esta exposição.


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feminina, denota uma consciência daquilo que se estava a passar noutros 
lugares, nomeadamente em Los Angeles. Beth Coffelt, uma das convi-
dadas para fazer uma conferência, relatou em primeira mão as mudanças 
que estavam a ocorrer nos Estados Unidos, relativamente às mulheres e 
às artes. 

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