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Manimala a cantar a história de uma das suas pinturas



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Manimala a cantar a história de uma das suas pinturas,
 
fotografia de Lina Fruzetti e Ákos Östör,  
Pinturas Cantadas. Arte e Performance das Mulheres de Naya.


265
Será que teria feito sentido exibir estas telas no interior de um 
contexto  expositivo  de  uma  história  da  arte  tradicional,  revelando 
apenas  aquilo  que  elas  têm  de  estético?  Pensamos  que  não.  O  que 
esta exposição também revelou foi que a história da arte tem muito a 
aprender com outras formas de pensar o objecto artístico, nomeada-
mente com a antropologia. Além das pinturas, a exposição mostrava 
textos explicativos, as histórias individuais de cada uma das mulheres 
que contribuíram para a exposição, e um filme-documentário sobre as 
mulheres-artistas e o seu trabalho
352
. O catálogo apresenta não só um 
texto sobre cada peça exposta, como também uma biografia indivi-
dual, narrada na primeira pessoa por cada uma das mulheres que par-
ticiparam. Sendo a sua principal forma de sobrevivência, as pinturas 
expostas foram vendidas em benefício das suas autoras. 
Esta  exposição  conseguiu  combinar  muitas  das  mudanças  de 
paradigma no pensamento das ciências humanas das últimas déca-
das com alguns dos temas que têm ocupado as reflexões sobre a con-
temporaneidade – a criação artística para lá do Ocidente; a iniciati-
va e a criatividade de um grupo de mulheres pertencentes às castas 
mais  baixas,  extremamente  pobres,  analfabetas  e,  potencialmente, 
sem acesso à palavra e à visibilidade; a combinação entre localização 
e globalização dos temas por elas abordados; a impossibilidade, e 
mesmo a irrelevância, de fazer uma exposição centrada nos objectos 
feitos por estas mulheres, sem mostrar o contexto cultural, social e 
político onde eles são produzidos; e a perspectiva de género, inse-
parável de uma prática artística que, sendo uma forma de obter um 
rendimento e melhorar as suas condições de vida, veio transformar 
o  lugar  destas  mulheres  na  família  e,  até,  afectar  os  equilíbrios  de 
género que os sustentavam (os seus maridos nem sempre reagiram 
bem ao verem as suas mulheres com mais poder económico e maior 
independência).  Exposições  como  esta  também  revelam  um  dos 
caminhos que o feminismo tomou desde os anos 80 – de uma ex-
cessiva centralidade na mulher branca ocidental e na ideia de uma 
“mulher universal”, passou-se à aceitação da pluralidade de vozes de 
mulheres, num mundo global feito de diversidade e diferença.
352.
    Documentário Singing Pictures. The women painters of Naya 
realizado pelos comissários da exposição Lina Fruzetti e Ákos Östör: http://
learningobjects.wesleyan.edu/naya/

Catálogo: bitstream -> 10451

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