Filipa lowndes vicente a a rte sem his



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PE N SA R O PR E S E NTE


A A RTE S E M H I STÓ R I A
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entretanto, muitas alterações que importa ter em conta. Assim, exis-
tiu,  e  continua  a  existir,  uma  certa  condescendência  do  activismo 
feminista de alguns países do Norte da Europa em relação aos seus 
equivalentes do Sul da Europa ou dos países em vias de desenvolvi-
mento, com tendência para uniformizar os países e para confundir, 
por exemplo, a existência de leis discriminatórias num país com o 
facto de elas serem aceites passivamente pelas suas vítimas. No en-
tanto, hoje existem inúmeros grupos de mulheres nos países em vias 
de desenvolvimento a empreenderem as mais diversas formas de re-
sistência – do combate à pobreza até à tentativa de erradicação da 
violência doméstica, da mutilação genital feminina, ou do femicídio 
–, e a originalidade e eficácia de muitas destas associações e movi-
mentos  têm  sido  reconhecidas  pelos  seus  equivalentes  ocidentais. 
De facto, muitas das iniciativas levadas a cabo por mulheres em África, 
na Índia ou no Bangladesh têm servido de exemplo a organizações de 
países mais desenvolvidos em relação aos direitos das mulheres que, 
independentemente  das  suas  especificidades,  partilham  muitos  dos 
mesmos problemas. E quase se poderia afirmar que este activismo as-
sociativo de mulheres tem mais força do que em países onde, aparen-
temente, estes já não são necessários. 
Assim, se na década de 1970 os feminismos estavam muito centra-
dos no mundo branco ocidental e nas mulheres privilegiadas e com es-
tudos que tinham acesso à palavra, críticas posteriores levaram ao reco-
nhecimento dos múltiplos feminismos que – nas suas vertentes teóricas 
ou na força do seu activismo – implicam um mundo mais diverso e mais 
global. O “feminismo branco” não deve, pois, isolar-se de “outros gran-
des movimentos de autodeterminação e de justiça dentro dos quais e 
contra os quais as mulheres se definem”, como os anti-racistas, antimili-
taristas ou anti-imperialistas
349
. A conclusão de que o feminismo não se 
pode restringir a uma única definição foi consequência de muitos anos 
de uma auto-reflexão que começou quando as mulheres não-brancas e 
as pertencentes a países em vias de desenvolvimento começaram a fa-
zer ouvir as suas vozes numa confluência do feminismo, anti-racismo e 
teorias pós-coloniais que se consolidou nos anos 80. A história da arte 
349.
    Adrienne Rich, “Notas para uma política da localização (1984)”, Ana 
Gabriela Macedo, ed., Género, Identidade e Desejo. Antologia crítica do feminismo 
contemporâneo
, p. 35.



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