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    Laurie Schneider Adams, The Methodologies of Art. An introduction (Nova  Iorque: IconEditions, 1996), p. 79.  13



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    Laurie Schneider AdamsThe Methodologies of Art. An introduction (Nova 
Iorque: IconEditions, 1996), p. 79. 
13.
    Laurie Schneider Adams, The Methodologies of Art. An introduction, p. 79. 
   
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A A RTE S E M H I STÓ R I A
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estas eram impedidas de estudar na tradicional universidade da ci-
dade –, quantas “irmãs de Shakespeare” não terão existido ao longo 
da história que, não tendo tido as mesmas oportunidades educativas 
que os seus irmãos, não puderam desenvolver a sua criatividade, o seu 
trabalho e o seu talento?  
Uma perspectiva feminista da história da arte não implica, no en-
tanto, considerar que o trabalho produzido por mulheres tenha carac-
terísticas próprias, como tem sido muito discutido também na teoria 
da literatura. Embora existam diferentes posições, penso que faz mais 
sentido inverter a questão: não se trata de identificar uma “arte femi-
nina” ou uma “escrita feminina”, até porque, como o tem demonstrado 
uma história crítica, da arte e da literatura, isso serviu, quase sempre, 
para menorizar a produção de mulheres frente a uma “arte” ou a uma 
“escrita” que não precisavam de afirmar o seu género porque tinham 
implícita a sua masculinidade. Mas é um facto que muitas mulheres 
utilizam a sua experiência 
enquanto mulheres na sua produção artís-
tica (Paula Rego, por exemplo), tal como alguns homens utilizam a 
sua  experiência 
enquanto  homens  (Julião  Sarmento,  por  exemplo). 
Outros artistas, pelo contrário, de ambos os sexos, não fazem da sua 
identidade sexual matéria do seu trabalho. Em Vieira da Silva ou no 
trabalho da brasileira Lygia Pape, por exemplo, como em muitos ou-
tros artistas, essa experiência não se traduz explicitamente na obra de 
arte final. 
Creio que é empobrecedor analisar o percurso de uma mulher 
artista do século XIX, por exemplo, sem ter em conta o facto de ela 
ser  mulher,  pelo  simples  facto  de  que  ser  “mulher”  no  século  XIX,  
independentemente do país ou da classe social onde se nasceu, afecta-
va a identidade de artista. Ignorar a identidade sexual, em defesa dos 
supostos critérios de qualidade artística e da análise formal de uma 
obra, significa desprezar um dado significativo na construção e per-
cepção contemporâneas da obra, tal como no percurso da artista. Não 
interessa apenas “descobrir” mulheres artistas, mas importa analisá-las 
enquanto “mulheres”, ou seja, tendo em conta que as suas identida-
des enquanto personagens históricas estão inevitavelmente marcadas 
pelo facto de elas serem mulheres. E, como diz a espanhola Estrella de 
Diego, falar de “mulheres” não é fazer crítica feminista

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