Filipa lowndes vicente a a rte sem his



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PE N SA R O PR E S E NTE


A A RTE S E M H I STÓ R I A
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Assim,  mesmo  tendo  em  conta  que  tantos  museus  são  inse-
paráveis dos contextos colonialistas ou patriarcais onde nasceram, 
existem inúmeros exemplos da capacidade de os museus pensarem 
criticamente sobre si próprios. Algumas formas de subverter as carac-
terísticas históricas de muitas destas instituições em relação a ques-
tões de género podem ser postas em prática através da informação que 
é facultada ao público: mostrar textos de parede, legendas ou folhetos 
onde se exponham as razões históricas e historiográficas da reduzida 
quantidade de mulheres nas colecções; sugerir um olhar crítico em 
relação à representação das mulheres na arte; ou expor exemplos que 
se encontravam nas reservas. Alguns destes caminhos têm sido toma-
dos por diferentes museus. Foi o que fez o Museu Nacional Centro de 
Arte Reina Sofía (Madrid) em 2010. Intitulado “Feminismo: um olhar 
feminista sobre as vanguardas”, o folheto gratuito propôs aos visitantes 
um “itinerário da colecção” centrado em vários temas: desde a frag-
mentação do corpo feminino levada a cabo por muitos surrealistas até 
à influência da teoria feminista na obra de algumas mulheres artistas 
desde a década de 1960.
Capa do catálogo da exposição Global Feminisms. 
New Directions in Contemporary Art, Brooklyn Museum, Nova Iorque, 2007.
Capa do catálogo da exposição elles@centrepompidou. 
Artistes Femmes dans la Collection du Musée National d’Art Moderne, Centre de 
Création Industrielle, Centre Pompidou, Paris, 2009.


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Nos últimos anos, assistimos não só a uma maior consciência dos 
museus em relação a questões de género, mas também a uma histori-
cização das práticas artísticas feministas, sobretudo através de exposi-
ções temporárias. O ano de 2007 foi especialmente rico em exposições 
e conferências desta natureza, uma espécie de renascimento feminista 
feito tanto de olhares sobre o contemporâneo, como de reflexões his-
tóricas sobre um passado recente. Numa exploração do não-familiar,
 
Global Feminisms. New directions in contemporary art abriu no Brooklyn 
Museum nova-iorquino, precisamente com a intenção de dar espaço 
às práticas artísticas feministas para lá das fronteiras da Europa e dos 
Estados Unidos da América
337
. Enquanto o objectivo da exposição 
Women Artists1550-1950, inaugurada em 1976 em Los Angeles, fora 
reclamar as mulheres que tinham sido excluídas do cânone ociden-
tal, a exposição 
Global Feminisms pretendeu dar voz às mulheres de 
diferentes culturas que o discurso da arte contemporânea continua a 
considerar periféricas, apesar do interesse crescente pela arte produzi-
da por artistas do Médio Oriente, por exemplo, como do Brasil ou da 
Índia
338
. O que a preparação para esta exposição também revelou, nas 
palavras de uma das suas curadoras, foi como o sexismo e o racismo 
continuam a estar tão embrenhados na lógica do 
mainstream art world 
que passam despercebidos e que quem teria poder para mudar as  
coisas não o faz
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No mesmo ano de 2007, mas na Costa Oeste norte-americana, 
inaugurou 
Wack! Art and the Feminist Revolution, onde Helena Almei-
da foi a única portuguesa presente
340
. Mais centrada no movimento 
artístico da década de 1970, que tinha tido na Califórnia um dos seus 
lugares privilegiados, a exposição veio historicizar a denominada “arte 
feminista”, um movimento de grande relevância para a compreensão 
da  arte  do  século  XX  e  das  transformações  do  modernismo  para  o 
pós-modernismo. Esta prática artística, inseparável da teoria feminis-
ta, continua a estar muito ausente da história da arte hegemónica, quer 
337.
    Global Feminisms. New directions in contemporary art (Londres; Nova 
Iorque: Merrell; Brooklyn Museum, 2007), Catálogo de Exposição, p. 13.

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