Filipa lowndes vicente a a rte sem his



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PE N SA R O PR E S E NTE


A A RTE S E M H I STÓ R I A
254
mulheres artistas representam 7% das colecções
333
. No entanto, é a 
própria Tate que publica um livro que é, também, um exercício de 
autocrítica. Este livro poderia ser um mero elenco sobre mulheres 
artistas nas colecções da Tate, como tantos outros livros de divulga-
ção, mas, em vez disso, é um estudo que analisa a relação da própria 
instituição – e de alguns dos mais conhecidos museus contempo-
râneos em Londres e Nova Iorque – com a arte produzida por mu-
lheres. Na introdução, a autora anuncia como uma das influências 
mais significativas na colecção da Tate é a “discriminação contra as 
mulheres” e não uma “celebração imparcial” das realizações artísti-
cas
334
. Assim, a Tate não tem uma política assumida de aquisições de 
obras assinadas por mulheres, o que a autora considera poder ter um 
efeito perverso – o de o público pensar que estes números tão baixos 
de mulheres nas colecções reflectem a evolução “natural das mulhe-
res enquanto artistas”, ou seja, que esta ausência é representativa de 
uma “realidade”. 
A política da Tate poderia ser contrastada com o caso do Centre 
Pompidou, em Paris, onde houve, nos últimos anos, uma vontade 
assumida de adquirir obras produzidas por mulheres. O problema 
da discriminação positiva – tentar, de forma 
consciente, reverter uma 
desigualdade que foi instituída de forma 
inconsciente – é que tam-
bém conta com a oposição de muitas mulheres artistas, temerosas 
das implicações negativas que isso possa ter na percepção do seu tra-
balho
335
. A obra foi comprada por ser de uma mulher? Ou por ser 
de uma artista e ter “qualidade”? É este tipo de reflexividade – uma 
consciência crítica de uma instituição sobre si própria – que pode 
contribuir para uma mudança de paradigma. 
A perspectiva crítica dos “estudos de museus” (
museum stu-
dies), a partir das suas questões teóricas, obrigou o museu/institui-
ção a pensar as suas premissas ideológicas, a construção das suas 
classificações e os diferentes significados atribuídos aos objectos

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