Filipa lowndes vicente a a rte sem his



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irrelevantes
326
.  É  aquilo  que  poderíamos  identificar  como  sendo  as 
reservas das próprias mulheres historiadoras da arte, comissárias ou 
directoras de museus em estudarem “mulheres”, por este continuar a 
ser considerado um tema “menor” que se pode mesmo repercutir na 
identidade académica de quem o trata. Como se a subalternização do 
objecto de estudo se pudesse, de algum modo, projectar sobre o pró-
prio estatuto de quem escreve, incorrer numa abordagem feminista 
pode, ainda hoje, significar um risco de marginalidade em relação à 
comunidade científica para a qual se escreve e onde se quer ser reco-
nhecido. Subsiste também o temor de serem rotuladas de “feministas”, 
com todo o peso negativo que o senso comum atribui à palavra e que 
o mundo académico parece emular. 
Quando as feministas e sufragistas da segunda metade do século 
XIX reclamavam o direito ao voto, a frequência da universidade ou o 
não terem que abdicar dos seus bens depois do casamento, eram vistas 
como uma ameaça incómoda por parte daqueles, homens e mulheres, 
que se consideravam antifeministas. Hoje, subsistem inúmeras formas 
de antifeminismo, tal como também tem sido estudado
327
. No século 
XIX, estas reacções já eram denunciadas pela artista e feminista Marie 
Bashkirtseff, quando dizia que, mesmo quando as mulheres reivindi-
cavam os direitos mais razoáveis, ficavam sempre sujeitas aos “gozos 
velhos e gastos” que tanto atingiam aquelas que se atreviam a fazer 
ouvir a sua voz. Mas, tal como Bashkirtseff reconhecia em 1879, para 
que dali a cem anos as mulheres obtivessem a tão almejada igualdade, 
teriam que continuar a sujeitar-se a serem ridicularizadas
328
. Os adjec-
tivos que tantas vezes, nos últimos dois séculos, têm sido aplicados às 
feministas ou sufragistas – “agressivas”, “frustradas”, “zangadas”, “abor-
recidas”, “ressabiadas”, “lésbicas”

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