Filipa lowndes vicente a a rte sem his



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PE N SA R O PR E S E NTE


A A RTE S E M H I STÓ R I A
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equivalente à ignorância que ainda persiste em relação às mulheres 
artistas,  é  o  não-reconhecimento  de  que  são  mulheres  ao  referi-las, 
ou o reconhecer que são mulheres, mas que 
não foi por isso que o/a 
historiador/a da arte as escolheu como objecto de estudo. De facto, e 
como já afirmámos, falar de mulheres não é fazer crítica feminista
325

Não chega iniciar as “escavações arqueológicas” um pouco por todo 
o País para descobrir os muitos nomes de mulheres artistas que a his-
tória se esqueceu de incluir, não chega fazer uma monografia da vida 
e obra de uma pintora do século XVIII ou organizar uma exposição 
onde o critério seja o de mostrar o trabalho de artistas portuguesas do 
século XIX, se não se fizerem perguntas diferentes e se não se tiver em 
conta que ela ou elas são mulheres. 
Ter em conta que elas são mulheres não significa encontrar algo 
de “feminino” ou de “diferente” na sua obra, como foi muitas vezes feito 
ao longo da história como uma forma de estabelecer uma diferenciação 
sexual da arte. Significa, sim, ter em conta o contexto social, cultural e 
político que determinava o percurso de uma artista, de modo mais ou 
menos  marcante.  Um  dos  principais  perigos  em  ignorar  ou  silenciar 
uma perspectiva feminista, enunciando, por exemplo, o facto de entre 
as/os artistas portugueses mais internacionalizados se encontrarem tan-
tas mulheres como prova da vitória da “qualidade” sobre outros critérios 
de avaliação é precisamente o de iludir a subsistência de discriminações 
artísticas devido ao factor género. Assim, os casos de Vieira da Silva e 
Paula Rego, e mesmo o de Josefa de Óbidos, como prova da premência 
do factor qualidade na projecção de um artista e da irrelevância do sexo 
neste processo, pode levar à distorção de uma realidade onde estas mu-
lheres constituem realmente uma excepção e não a norma.
Tal como as mulheres artistas ou escritoras que não gostam de 
se apresentar como mulheres, temendo que isso afecte a percepção 
do seu trabalho de um modo negativo, há muitas mulheres historia-
doras da arte (ou de qualquer outra área do saber) que se distanciam 
de  uma  perspectiva  feminista  talvez  pelo  temor,  não  infundado,  de 
serem acusadas de estarem a contribuir para a vitimização do seu ob-
jecto, de se dedicarem a temas menores ou demasiado específicos e  
325.
    Estrella de Diego, “Figuras de la diferencia”, Valeriano Bozal, ed., Historia 
de las Ideas Estéticas y de las Teorías Artísticas Contemporáneas
, vol. II (Madrid: Visor, 
1996), pp. 346-363. 



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