Filipa lowndes vicente a a rte sem his


particular, e no campo das ciências sociais e humanas e da produção



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particular, e no campo das ciências sociais e humanas e da produção 
artística, em geral, os objectos de investigação inscrevem a, ou radi-
cam na, ou reclamam a, ou refutam a, ou escapam à teoria”. 
Analisemos alguns exemplos, entre os muitos que se poderiam 
explorar. Num exercício informal, poderíamos comparar o panora-
ma editorial português em relação a estas questões com o de outros 
países europeus que, à partida, julgaríamos mais ou menos equiva-
lentes, como a Espanha ou a Itália. Uma incursão numa boa livraria 
espanhola ou italiana é suficiente para nos apercebermos de quão 
distintas  são  as  práticas  editoriais  no  que  toca  ao  cruzamento  en-
tre arte e feminismo. Este contraste entre Portugal e outros países 
do Sul da Europa é evidente a três níveis: na publicação de textos 
originais, na política de traduções e na existência de livros noutras 
línguas disponíveis em livrarias. Em primeiro lugar, há muitas auto-
ras espanholas ou italianas (são mulheres, na sua maioria, mas em 
Espanha há vários homens, como Juan Vicente Aliaga) a escreverem 
e a publicarem nesta área, e existem mesmo colecções só dedicadas 
ao tema como “a outra metade da arte”, de uma editora milanesa
321

da exposição comissariada por Emília Ferreira: Milly Possoz. Uma gramática 
modernista
 (Lisboa: Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, 2010), Catálogo de 
Exposição; o Festival de Arte Feminista, um projecto de intervenção promovido 
no âmbito do programa “De Mulher para Mulher” (Porto, Setembro de 2010); 
Júlia Coutinho, “Artistas plásticas na oposição a Salazar”, conferência inserida no 
painel “A República das Mulheres”, Biblioteca-Museu República e Resistência [23 
de Março de 2011].    
321.
    Para Espanha, ver: Patricia Mayayo, Historias de Mujeres, Historias del Arte 
(Madrid: Ediciones Cátedra, 2003); Pilar Muñoz López, Mujeres Españolas en las 
Artes Plásticas. Pintura y escultura
 (Madrid: Editorial Síntesis, 2003); Juan Vicente 
Aliaga, Arte y Cuestiones de Género. Una travesía del siglo XX (San Sebastián: Nerea, 
2004); Vicent Ibiza i Osca, Obras de Mujeres Artistas en los Museos Españoles. Guia 
de pintoras y escultoras 1500-1936
 (Valência: Centro Francisco Tomás y Valiente; 
UNED Alzira-Valencia, 2006); Juan Vicente Aliaga, Orden Fálico. Androcentrismo y 
violencia de género en las práticas artísticas del siglo XX
 (Madrid: Akal, 2007); María 
Teresa Alario Trigueros, Arte y Feminismo (San Sebastián: Nerea, 2008); Creadoras 


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em  segundo  lugar,  quer  em  Itália,  quer  em  Espanha,  existem  inú-
meras traduções de livros considerados já clássicos (da autoria de  
Griselda Pollock ou de Linda Nochlin, para citar os mais óbvios); 
e,  em  terceiro  lugar,  livrarias  como  a  do  Museu  Reina  Sofía,  em  
Madrid, têm uma secção específica sobre “arte e feminismo”, além de 
várias secções dedicadas a estudos de género, nas áreas de história e 
ciências sociais. Outro aspecto relevante é que muitas destas autoras 
e autores espanhóis e italianos escrevem sobre temas que não estão 
relacionados com os seus países. O contraste com as estratégias edi-
toriais da maior parte das nossas editoras, sejam elas pequenas ou 
pertencentes  a  grandes  grupos  editoriais,  é  evidente.  Para  muitas 
editoras,  as  palavras  “género”,  “feminismo”  ou  mesmo  “mulheres” 
ainda  remetem  para  um  tema  secundário,  pouco  comercial  e  ape-
nas de interesse para uma minoria dentro da já minoria académica.  
Estes estudos tendem a ficar, assim, circunscritos a colecções especí-
ficas, sobretudo com uma abordagem sociológica ou literária, mais 
do que artística ou historiográfica. Ou, então, aparecem nas versões 
populares e baratas da Taschen traduzidas para português, em abor-
dagens generalistas feitas de pequenas biografias de uma selecção de 
mulheres artistas
322

Existe outro aspecto em que as políticas editoriais manifestam re-
servas em relação à produção artística feminina. Recentemente, duas 
del Siglo XX
 (Santa Cruz de Tenerife: CajaCanarias, 2008), Catálogo de Exposição 
(Espacio Cultural CajaCanarias, com a participação de Vieira da Silva e Paula 
Rego]; Patrícia Mayayo, “La transición silenciada: arte y políticas feministas en la 
España de los Setenta”, Olga Barrios, ed., La Mujer en las Artes Visuales y Escénicas. 
Transgresión, pluralidad y compromiso social 
(Madrid: Editorial Fundamentos, 2010); 
Marián López Fernández Cao, Mulier Me Fecit. Hacia un análisis feminista del arte 
y su educación
 (Madrid: horas y HORAS, 2010); Susana Carro Fernández, Mujeres 
de Ojos Rojos. Del arte feminista al arte feminino
 (Gijón: Trea, 2010) 
 Para Itália, ver: Barbara Casavecchia, “Senza nome. La difficile ascesa della 
donna artista”, Antonello Negri, ed., Arte e Artisti nella Modernità (Milão: Jaca Book, 
2000), pp. 83-108; Franca Zoccoli, Benedetta Cappa Marinetti. L’incantesimo della 
luce
 (Milão: Selene Edizioni, 2000); Maria Antonieta Trasforini, ed., Arte a Parte. 
Donne artiste fra margini e centro 
(Milão: Franco Angeli, 2000); Emanuela De Cecco 
e Gianni Romano, eds., Contemporanee. Percorsi e poetiche delle artiste dagli anni 
ottanta a oggi 
(Milão: Postmediabooks, 2002); Valeria Palumbo, Prestami il Volto. 
Donne oltre il ritratto 
(Milão: Selene Edizioni, 2003); Maria Antonieta Trasforini, 
ed., Donne d’Arte. Storie e generazioni (Roma: Meltemi, 2006); Maria Antonieta 
Trasforini, Nel Segno delle Artiste. Donne, professioni d’arte e modernità (Bolonha: 
il Mulino, 2007). 
322.
    Uta Grosenick, ed., Mulheres Artistas nos Séculos XX e XXI, trad. de 
Carlos Sousa de Almeida (Colónia: Taschen, 2003).

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