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    Maria Teresa Horta, Minha Senhora de Mim (Lisboa: Editorial Futura, 1974). PE N SA R O PR E S E NTE



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    Maria Teresa Horta, Minha Senhora de Mim (Lisboa: Editorial Futura, 1974).
PE N SA R O PR E S E NTE


A A RTE S E M H I STÓ R I A
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fora  de  Portugal;  instituições  avessas  à  mudança;  impossibilidades 
económicas que dificultavam as deslocações geográficas a outros pa-
íses; mas também a percepção da riqueza de materiais históricos que 
existiam em Portugal, à espera de serem trabalhados. Ora, alguns des-
tes factores já estão em franca transformação desde há algum tempo: 
os  programas  Erasmus  vieram  favorecer  a  circulação  de  estudantes 
com resultados muito benéficos; as viagens internacionais são mais 
baratas e frequentes; instituições como a Fundação para a Ciência e 
a Tecnologia, com a sua política de bolsas de investigação, possibilita-
ram o aumento exponencial de portugueses a frequentarem mestrados 
e doutoramentos no estrangeiro, que anteriormente apenas podiam 
recorrer ao apoio da Fundação Calouste Gulbenkian; e a compra de 
livros através da internet veio colmatar muitas das lacunas existentes 
nas nossas bibliotecas e livrarias (embora, muitas vezes, esta facilidade 
seja ilusória e não tenha repercussões ao nível das bibliografias reco-
mendadas pelos programas universitários).
Mas mesmo na contemporaneidade, em que tudo parece benefi-
ciar a circulação de saberes, muitas vezes só circulam aqueles saberes 
que reiteram e confirmam aquilo que já se faz num determinado lugar. 
Ou seja, apesar de as abordagens feministas da história da arte serem 
feitas em muitos lugares do mundo desde há quarenta anos, apesar 
das publicações disponibilizadas em livrarias e bibliotecas (e 
online
de países como o Reino Unido ou os Estados Unidos da América, mas 
também de Espanha ou de Itália, este é um campo de estudo que não 
foi apropriado pela disciplina da história da arte tal como esta se de-
senvolveu no contexto português. Para lá das razões históricas e políti-
cas que levaram a que, durante grande parte do século XX português, 
uns saberes fossem promovidos enquanto outros fossem ostracizados, 
como já vimos, uma das explicações possíveis para este fechamento 
mais específico da história da arte em relação àquilo que se faz noutros 
lugares poderá ser o seu carácter predominantemente “nacional”: os 
historiadores da arte em Portugal tendem a concentrar-se na realidade 
portuguesa em detrimento de outros contextos geográficos, a não ser 
que se relacionem com o nosso País (daí a centralidade dos temas rela-
cionados com a presença da arte e da arquitectura portuguesas fora de 
Portugal), e isso torna inevitável uma concentração na historiografia 
nacional e uma menor atenção a debates historiográficos centrados 
em temas não-nacionais. 


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Durante muito tempo, a história da arte portuguesa também per-
maneceu impermeável a formas visuais para além do triunvirato da es-
cultura, pintura ou arquitectura – como seja a fotografia, nas suas múlti-
plas manifestações oitocentistas ou na sua prática contemporânea –, ou 
mesmo à arte contemporânea, que era mais estudada em departamentos 
de ciências da comunicação ou filosofia do que de história da arte. No 
entanto, se neste aspecto tudo aponta para uma enorme mudança, sub-
siste a convicção de que uma análise feminista se enquadra apenas nos 
estudos de género ou na sociologia (ou, quanto muito, da sociologia da 
arte), mas não da história da arte. Discordamos desta posição e pensa-
mos que os caminhos críticos da história da arte das últimas décadas já 
provaram que este 
também é um olhar da história da arte. Há, no entanto, 
nos últimos anos, um claro despertar crítico da história da arte portu-
guesa em relação a estes temas, mesmo que, por vezes, ainda disperso e 
fragmentado em conferências e artigos escritos sob diferentes perspecti-
vas, mas centrados, sobretudo, em estudos de caso

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