Filipa lowndes vicente a a rte sem his


partida o trabalho do fotógrafo Mapplethorpe e a sua celebração visu-



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partida o trabalho do fotógrafo Mapplethorpe e a sua celebração visu-
al do corpo nu masculino, exploraremos outras questões. Será que as 
mulheres heterossexuais podem olhar (e desejar) o corpo nu masculi-
no ou a sexualidade masculina nas suas representações artísticas? Ou 
será que, nas suas apropriações homossexuais, este permanece sempre 
no espaço do olhar masculino? 
Outro assunto que exploraremos neste capítulo sobre a relação 
entre olhar, poder e desejo é o da persistência do tema “imagens de mu-
lheres”, sobretudo em exposições temáticas que, sob um discurso de  
celebração do feminino, mais não fazem do que reificar acriticamente  


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as mais tradicionais formas de representação das mulheres – a mulher 
sexualizada  pintada,  filmada  ou  fotografada  por  um  homem.  Neste 
essencialismo, tende-se a privilegiar uma única imagem e acaba por 
se excluir a diversidade e a pluralidade de representações. A análise 
crítica das representações de mulheres em formas visuais, artísticas 
ou não, tem sido uma das vertentes de uma abordagem feminista da 
história da arte das últimas décadas. Num exercício de desconstrução 
do  binómio  homem-observador/mulher-observada  –  tão  hegemó-
nico  na  arte  elitista  e  minoritária  como  na  cultura  visual  popular  e 
maioritária –, esta crítica veio demonstrar como, no que se refere às 
representações de mulheres, existem muitos paralelismos entre a arte 
e outras formas de cultura visual como a publicidade, a televisão ou 
a ilustração
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. Outra questão aqui analisada é a forma como, a partir 
dos anos 60, muitas mulheres artistas vieram redefinir e reapropriar-se 
dos “vocabulários formais através dos quais a sexualidade e a expe-
riência feminina tinham sido historicamente delineadas e circunscri-
tas”, usando-se a si próprias e usando o seu corpo e a sua sexualidade  
enquanto objecto de pesquisa artística
11
.
Se  no  passado  as  exclusões  eram  mais  fáceis  de  identificar,  no 
presente elas são mais subtis. E, mesmo quando uma análise as torna 
evidentes, é mais difícil explicá-las ou encontrar razões objectivas para 
a sua existência. Deste modo, no último capítulo – 
Pensar o presen-
te: entre as diferenças nacionais e a globalização dos feminismos –, irei 
concentrar-me precisamente em algumas das questões colocadas pela 
contemporaneidade de um mundo onde os obstáculos ao desenvolvi-
mento da prática artística feminina são de natureza mais imperceptível 
e inconsciente. Para contrariar uma certa tendência para considerar o 
campo artístico ou literário como um mundo-à-parte, senão mesmo 
transgressivo e questionador das normas socialmente vigentes, pro-
curei fazer comparações com outros contextos. E as conclusões são 
previsíveis. No que se refere ao lugar das mulheres e aos equilíbrios 
de género, o campo artístico pode ser tão “tradicional”, ou seja, tão pa-
triarcal, como muitas outras áreas da sociedade, da política à religião. 

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