Filipa lowndes vicente a a rte sem his



Baixar 5.05 Mb.
Pdf preview
Página212/298
Encontro09.02.2022
Tamanho5.05 Mb.
#21513
1   ...   208   209   210   211   212   213   214   215   ...   298
229
8.
Pensar o presente: entre as diferenças   
nacionais e a globalização dos feminismos
A falácia da “qualidade”
Um desafio da nossa contemporaneidade artística é não deixar que o 
“mérito” e a “qualidade” sirvam para camuflar as discriminações de gé-
nero no mundo da arte. Não por acaso, o denominado “critério da qua-
lidade” artística é aquele que é mais frequentemente evocado como 
resposta à ausência de mulheres nas várias faces do mundo artístico, 
quer por aqueles que o determinam, quer por aqueles que observam 
o resultado das suas escolhas. Por um lado, a qualidade é um critério 
assumido como prioritário por críticos de arte, júris de prémios artís-
ticos, directores de museus e galerias, historiadores da arte ou cura-
dores; por outro lado, é aceite pelo público de museus e galerias de 
arte, por estudantes de história da arte ou belas-artes, ou por leitores 
de críticas de arte ou de livros sobre arte. A invocação de critérios de 
qualidade nas escolhas de artistas para exposições, bienais, prémios, 
artigos, livros, colóquios ou programas de ensino secundário e uni-
versitário aparentemente dessexualiza os artistas e a arte, situando-a 
numa outra esfera. Vimos, ao longo do livro, como uma história da 
arte crítica e reflexiva, no entanto,
 além de decidir aquilo que tem qua-
lidade, também analisa, ou toma consciência dos processos que atri-
buem qualidade. 
Quando os obstáculos institucionais deixaram de existir em gran-
de parte do mundo – as mulheres passaram a poder frequentar os cur-
sos de Belas-Artes, por exemplo, ou a pertencer a academias artísticas 
–, surgiu outro tipo de barreiras invisíveis e mais difíceis de identificar, 
os tais “tectos de vidro”
308
 tão referidos para áreas como a política ou 
o mundo empresarial. Curiosamente, a percepção do senso comum 
de que o mundo da arte é um mundo mais aberto ou progressista do 
que o mundo político-partidário, religioso ou empresarial torna ainda 
mais invisíveis estas barreiras. A comparação do mundo religioso com 
o  campo  artístico  torna-se  especialmente  pertinente  quando  temos 
308.
    A expressão é anglo-saxónica – “glass ceilings” – e é utilizada para 
designar as barreiras, invisíveis, à progressão profissional das mulheres. 



Catálogo: bitstream -> 10451

Baixar 5.05 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   208   209   210   211   212   213   214   215   ...   298




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal