Filipa lowndes vicente a a rte sem his



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As reservas dos museus
Até aqui, estivemos a analisar exemplos das reservas do campo artístico 
em escolherem mulheres artistas para exposições temporárias, para in-
tegrarem os cânones artísticos de determinada época histórica, ou para 
representarem o País em bienais internacionais. Vamos agora centrar- 
-nos no significado literal da palavra na área da história da arte, a das 
“reservas” dos museus, aqueles espaços onde se preservam as colecções 
que não estão visíveis ao público. Vimos num capítulo anterior como, 
no elenco de mulheres artistas portuguesas do século XVIII, a existência 
de muitas pintoras é meramente textual, não sendo possível nomear um 
único exemplar do seu trabalho
297
. No entanto, mesmo quando exis-
tem nomes com obra identificada, esta está quase sempre invisível – ou 
porque está em colecções privadas desconhecidas, ou porque, mesmo 
quando existe em colecções públicas, é, na sua grande maioria, reme-
tida para as “reservas” do museu: as “reservas” do Museu Nacional de 
Arte Antiga, em Lisboa, do Museu Nacional de Machado de Castro, em 
Coimbra, do Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto
298
. Este cír-
culo vicioso de invisibilidade – não se estudam porque não estão expos-
tos, não estão expostos porque não se estudam – é um fenómeno iden-
tificado repetidamente desde os anos 1970, mas as suas repercussões 
ainda não se fizeram sentir na maior parte dos museus de arte antiga, 
nomeadamente nos portugueses. 
Esta constatação também pode ser afirmada em relação aos museus 
dedicados ao século XIX, princípio do século XX, embora a quantidade 
de mulheres artistas seja incomparavelmente maior do que nos séculos 
XVII ou XVIII. Quantas pintoras ou escultoras é que existem nas colec-
ções do Museu do Chiado? E quantas é que estarão expostas quando, 
finalmente, o museu alargar o seu espaço para o edifício contíguo, sem 
dúvida um factor muito limitador ? Como é que a ausência de mulheres 
no cânone enunciado pelo museu é abordada pelo discurso museológi-
co disponível ao visitante ou pelo catálogo integral que está em proces-
so de edição? Um outro exemplo poderia ser o do Museu Nacional de  
Soares dos Reis, reinaugurado há alguns anos na cidade do Porto e a 
297.
    Luísa Capucho Arruda e Aline Gallasch HallMulheres do Século XVIII. 
Pintoras portuguesas
 (Lisboa: Ela por Ela, 2006).
298.
    Aline Gallasch Hall, “Pintoras Portuguesas do século XVIII”, Luísa 
Capucho Arruda e Aline Gallasch Hall, Mulheres do Século XVIII. Pintoras 
portuguesas
, pp. 27, 30, 37, 51, 74. 

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