Filipa lowndes vicente a a rte sem his


As fronteiras da nudez e a colonização do corpo feminino



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As fronteiras da nudez e a colonização do corpo feminino
Um outro tema que tem sido tratado por uma historiografia da arte 
feminista, mas também pela história, antropologia, estudos coloniais, 
estudos culturais e de cultural visual, é o das relações entre representa-
ções de mulheres e colonialismo
278
. Tendo encontrado no século XIX 
um momento privilegiado para a história do colonialismo europeu, 
estes estudos tiveram necessariamente que alargar o espectro docu-
mental das suas análises para lá da pintura ou da gravura, para explo-
rarem as outras representações visuais que este período foi pródigo 
em inventar ou em multiplicar. Assim, se é possível encontrar vários 
estudos de caso na pintura – de Gauguin a Picasso –, é necessário ul-
trapassar as fronteiras das artes plásticas para incluir a fotografia, a li-
tografia, os 
posters, os postais fotográficos, as exposições de “nativos”, 
a iconografia associada à publicidade e a múltipla parafernália impres-
sa e visual criada pelas técnicas de reprodução oitocentista. No inte-
rior da visualidade oitocentista europeia, o espaço colonial, ou não- 
278.
    Hoje, já existe uma extensa bibliografia sobre o assunto, mas um estudo 
precursor foi o de Mallek AlloulaLe Harem Colonial. Images d’un sous-érotisme 
(Paris: Séguier, 2001); 1.ª ed., 1983.


201
-europeu, ocupava um lugar de destaque, onde, por sua vez, as mulhe-
res “colonizadas” se constituíam numa espécie de ponto de encontro 
entre diferença, exotismo, descoberta, nudez, sexualidade, hierarquias 
étnicas e hierarquias de género. 
Postal fotográfico, 
Margarida vai à fonte, Angola, fotografia de Cunha e Costa
Secção Colonial da Exposição do Mundo Português,  
1140 – Duplo Centenário – 1940, col. da autora.
As  mulheres  nuas  de  Gauguin,  longe  da  Europa,  idealizadas  e 
exoticizadas na cor da sua pele como nas cores das flores e panos que 
as  adornavam  sem  as  cobrir,  podem  ser  observadas  também  como 
metáfora da colonização europeia e masculina onde a violência era 
tantas  vezes  sexualmente  exercida

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