Filipa lowndes vicente a a rte sem his



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195
PO D E R O LH A R
Alice Neel, John Perreault,
 1972, óleo sobre tela, Whitney Museum of American 
Art, Nova Iorque, oferta de doadores anónimos. Fotografia de Geoffrey Clements. 
Cortesia de The Estate of Alice Neel.


A A RTE S E M H I STÓ R I A
196
Alice Neel, Nancy and Olivia,
 1967, óleo sobre tela, colecção particular. 
Cortesia de The Estate of Alice Neel.


197
Uma perspectiva muito explorada pelas mulheres artistas é a do 
auto-retrato
272
. Se, como vimos, no Renascimento isto acontecia por 
razões específicas, continuou a ser uma escolha de mulheres artistas 
durante outros períodos. Desde os anos 1960, a reflexão autobiográfica 
inscrita na auto-representação converteu-se num espaço de negocia-
ção e confronto de questões relacionadas com o género e a sexualida-
de, assim como dos diferentes papéis das mulheres
273
. Muitas artistas 
feministas usaram o seu corpo como uma forma de “reivindicar a sua 
própria sexualidade, construída por elas e não pela cultura visual e ar-
tística dominante”
274
. Ao resgatarem os seus corpos da tradição hege-
mónica, onde estes se constituíam em metáforas universais do desejo 
masculino, as mulheres individualizaram-nos nas suas diferenças, recla-
mando as possibilidades de olhar e criar significados. No entanto, ao 
confrontarmo-nos com algumas obras de mulheres artistas, podemos 
questionar se não há também, em muitos casos, uma reprodução dos 
parâmetros de eroticismo e sexualização do corpo feminino construído 
pelo masculino; se não há também um certo paradoxo no facto de tan-
tas mulheres artistas fazerem do seu próprio corpo o 
locus das suas ex-
periências artísticas, aparecendo nos seus próprios vídeos, instalações 

performances de um modo que não tem paralelo com a forma como 
os artistas masculinos usam o seu próprio corpo na prática artística. Po-
demos também questionarmo-nos por que é que esta objectificação do 
corpo feminino – nalgumas práticas artísticas, como na cultura visual 
publicitária – é tolerada e utilizada pelas próprias mulheres, em mais 
um exemplo de como, tantas vezes, estas contribuem activamente para 
a manutenção de uma cultura visual hegemónica masculina.

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