Filipa lowndes vicente a a rte sem his


. Sendo o retrato o seu género  270



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271
. Sendo o retrato o seu género 
270.
    Apresentado em Nova Iorque, em 1979, como uma performance, este 
texto foi depois publicado: Nan Goldin, The Ballad of Sexual Dependency, eds. 
Marvin Heiferman, Mark Holborn e Suzanne Fletcher (Nova Iorque: Aperture 
Foundation, 1986); Nan Goldin, “Documents”, Helena Reckitt e Peggy Phelan, 
eds., Art and Feminism, p. 228.  
271.
    Berry Walker, Jeremy Lewison, Robert Storr e Tamar GabarAlice Neel. 
Painted truths
 (Houston: The Museum of Fine Arts, 2010), Catálogo de Exposição; 
PO D E R O LH A R


A A RTE S E M H I STÓ R I A
194
de  eleição,  Neel  consegue  subverter  as  suas  tipologias  dando-nos 
a ver aquilo que não costuma ser retratado: em vez do auto-retrato 
da mulher artista, tradicionalmente representada enquanto jovem e 
bela, faz um auto-retrato no acto de pintar, onde expõe o seu corpo 
velho e nu e onde o único adereço são os óculos de que precisa para 
ver a tela; em vez de mulheres nuas jovens e sexuais, ela pinta um ho-
mem negro do Harlem, doente, magro, a morrer de doença e de po-
breza; tal como pinta um homem nu, exposto ao observador, na posi-
ção reclinada e frontal na qual tantas mulheres foram pintadas (John 
Perreault, 1972); em vez da maternidade glorificada, pinta mães de-
sajustadas no seu novo papel e sem sinal evidente da felicidade que 
deveriam estar a sentir (Nancy and Olivia, 1967); em vez de casais ou 
famílias brancas e heterossexuais, representa modelos familiares que 
raramente são visíveis na história da pintura, casais homossexuais ou 
famílias afro-americanas. Parte da subversão de Neel é precisamente 
a de a fazer sem sair da pintura, talvez o meio onde pareceria mais 
difícil evitar certas tipologias. Descoberta tardiamente, a sua obra é 
um exemplo de como, além da arte feminista dos anos 1970 ou 1980, 
feita de 
performances, vídeos e instalações, também na pintura exis-
tem exemplos de intervenções desconstrutivas em relação às formas 
de representação do feminino. 
Outro exemplo de subversão pictórica das imagens tradicionais 
de mulheres, neste caso da sua sexualidade, pode ser o trabalho de 
Egon Schiele, assim como o de Gustav Klimt, realizado na Viena de 
finais  do  século  XIX  e  indissociável  das  teorias  de  Sigmund  Freud 
acerca do desejo sexual e da sua centralidade na natureza humana. 
Ao pintar inúmeras representações de mulheres a masturbarem-se, 
alheias ao espectador, ou a desafiá-lo com o olhar, mas sobretudo a 
explorarem  o  seu  corpo  num  individualismo  auto-suficiente,  esta-
riam eles simplesmente a transpor para a tela a visualidade de cariz 
pornográfico que naquele período começava a ser explorada pelo ci-
nema, como já tinha sido pela fotografia, e onde o espectador implíci-
to era masculino? Ou será que podemos ver nestas representações da 
sexualidade feminina uma forma de subverter a passividade com que 
o corpo das mulheres tendia a ser representado no espaço pictórico?
Pamela Allara, Pictures of People. Alice Neel’s American Portrait Gallery (Hanôver e 
Londres: University Press of New England; Brandeis University Press, 1998).



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