Filipa lowndes vicente a a rte sem his


    Au Féminin. Women photographing women 1849-2009 (Paris: Centre  Culturel Calouste Gulbenkian, 2009). 268



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267.
    Au Féminin. Women photographing women 1849-2009 (Paris: Centre 
Culturel Calouste Gulbenkian, 2009).
268.
    Jorge Calado, “Introduction”, Au Féminin. Women photographing women 
1849-2009
, pp. 25-44, p. 29.
269.
    Sobre fotografia e intimidade na obra de Nan Goldin e de outros 
autores, ver: Juan Vicente Aliaga, Arte y Cuestiones de Género. Una travesía del siglo 
XX
 (San Sebastián: Nerea, 2004), pp. 83, 85, capítulo “Fotografía e intimidad”. 


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Iorque a descobrir os primeiros efeitos do HIV –
 The Ballad of Sexual De-
pendency, uma série fotográfica iniciada em 1979 –, consegue apreender 
a intimidade, a nudez e o sexo, expondo uma sexualidade onde as mulhe-
res são, também elas, sujeito sexual. De facto, as mulheres surgem como 
agentes dos seus corpos e do seu desejo e não apenas objecto passivo de 
um olhar/desejo masculino tal como a história da arte consolidou como 
sendo uma das suas tipologias mais persistentes e as exposições de “ima-
gens de mulheres” tendem a reproduzir. Na obra de Nan Goldin, o cor-
po também surge enquanto lugar onde se projectam outros aspectos da 
vida – não apenas a dimensão sexual, mas também a violência (o auto- 
-retrato de Goldin a expor as marcas físicas de agressão que o marido lhe 
deixara na cara) ou a doença (os seus amigos com SIDA).
A máquina fotográfica faz tanto parte da minha vida quotidiana como 
falar, comer ou fazer sexo. Em vez de criar distância, o instante em 
que estou a fotografar é, para mim, um momento de clareza e conexão 
emocional. Existe uma noção popular de que o fotógrafo é, por natureza, 
um voyeur, o último a ser convidado para a festa. Mas eu não estou a ser 
“penetra”; esta é a minha festa. Esta é a minha família, a minha história.
O meu desejo é preservar o sentido das vidas das pessoas, atribuir- 
-lhes a força e a beleza que eu vejo nelas. Eu quero que as pessoas nas 
minhas fotografias me devolvam o olhar. Eu quero mostrar exactamente 
como é o meu mundo, sem o glamorizar, sem o glorificar. Este não é um 
mundo sombrio, mas sim um mundo onde existe a consciência da dor, a 
qualidade da introspecção.
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Um outro exemplo, não fotográfico mas pictórico, de descons-
trução dos modos como as mulheres foram representadas na prática 
artística ao longo da história é o trabalho da pintora norte-americana 
Alice Neel, cuja obra foi alvo, recentemente, de uma retrospectiva or-
ganizada pelo
 Museum of Fine Arts de Houston, que depois viajou 
para a Whitechapel Gallery londrina

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