Filipa lowndes vicente a a rte sem his


    Patricia Mayayo, Historias de Mujeres, Historias del Arte (Madrid: Ediciones  Cátedra, 2003), p. 170.  261



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260.
    Patricia Mayayo, Historias de Mujeres, Historias del Arte (Madrid: Ediciones 
Cátedra, 2003), p. 170. 
261.
    Retratos de Mulheres. Fotografia. Man Ray, Jorge Martins, Julião Sarmento 
(Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva, Lisboa, 2011), Catálogo de Exposição.
262.
    Estelle Barrett, Kristeva Reframed (Londres: I.B. Tauris, 2011), p. 147.


191
Outro exemplo de uma exposição desta natureza foi 
Visões do 
Feminino na Colecção dos Encontros de Fotografia, em Coimbra, que 
resultou  num  catálogo  denominado 
Mulheres
263
.  Apesar  de  alguns 
exemplos da exposição demonstrarem como a fotografia foi, ao longo 
do século XX, uma das formas de exploração identitária das mulheres 
artistas, no seu conjunto, a colecção sugere um outro tipo de discurso 
que, aliás, o próprio curador reconhece como sendo o outro lado da 
relação entre mulheres e fotografia. É que, se a fotografia foi uma das 
“ferramentas de afirmação” da mulher, também foi, “perversamente”, 
“um dos mais eficazes veículos da sua instrumentalização”
264
. Uma 
análise dos temas do coleccionismo fotográfico amador que se pra-
tica hoje em dia confirma esta centralidade das imagens de nus fe-
mininos de diversas épocas. Isto também revela como, desde a sua 
invenção, a fotografia contribuiu para tornar mais visível a hegemonia 
de um discurso visual onde o olhar masculino sexualiza o corpo fe-
minino, de um modo que não tem paralelo no sentido inverso. Assim, 
apesar de a colecção dos Encontros de Fotografia também possuir 
mulheres a fotografarem mulheres – ou, sobretudo, a fotografarem-se 
a si próprias –, parecem estar presentes aquelas que reproduzem mo-
delos masculinos de erotização do corpo feminino, e não aquelas que 
subverteram este cânone tradicional, mesmo que utilizando os seus 
corpos e a sua sexualidade, como o demonstra o trabalho de tantas 
artistas que, desde a década de 70, usaram a fotografia como veículo 
da sua intervenção feminista. 
A crítica lê, muitas vezes, este género de exposições como “cele-
brações do feminino”, sem desmontar os modos essencialistas e mo-
nolíticos como elas acabam por reduzir a multiplicidade e a comple-
xidade de possibilidades do significado de “mulheres”, para explorar 
apenas aqueles que têm sido os seus mais repetidos estereótipos vi-
suais, não só na arte mas também na cultura visual da modernidade – 
neste caso, o da mulher-sexual, noutros casos o da mulher-mãe. Assim, 
muitos exemplos de arte contemporânea reproduzem a sexualização 
da mulher de uma forma muito semelhante à da cultura mediática.  
E se, por vezes, o fazem de forma crítica – num exercício de reflexão 

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