Filipa lowndes vicente a a rte sem his


Arpad Szenes, Maria Helena pintando



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Arpad Szenes, Maria Helena pintando,
 Rio de Janeiro, 1940-1947, 
desenho a tinta sobre papel, Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, Lisboa.
© Arpad Szenes, ADAGP, 2011/SPA 2011.
PO D E R O LH A R


A A RTE S E M H I STÓ R I A
190
fotografia para cada homem – foi exposto numa galeria mas, com cer-
teza por razões legais, os olhos de cada um dos homens fotografados 
tiveram que ficar ocultos para impossibilitar o seu reconhecimento.  
Os olhos – ou, neste caso, a violência hegemónica do olhar masculino 
no espaço público sobre a mulher transformada em objecto sexualiza-
do – foram assim, ironicamente, tapados. 
As “imagens da mulher na arte”, tema muito tradicional da história 
da arte, tem vindo a ser desconstruído por novas perspectivas feminis-
tas. No entanto, o tema continua a subsistir quer em livros de divulga-
ção, quer em exposições onde, na ilusão de se valorizar “o feminino” 
(visto pelo olhar de um fotógrafo, pintor ou escultor masculino), se in-
valida qualquer possibilidade de leitura reflexiva. De facto, os museus e 
a indústria cultural, em vários países, têm sido especialmente pródigos 
em veicular este tipo de abordagem – “retratos de mulheres”, “mulheres”, 
“mulheres na obra de…” – que, como alerta Patricia Mayayo, acaba por 
“trivializar” as análises das representações de mulheres, esvaziando-as 
de qualquer olhar crítico, da tal “dimensão política e subversiva” que 
uma releitura feminista pode trazer
260
. Um exemplo recente deste géne-
ro de abordagem foi a exposição 
Retratos de Mulheres, na Fundação Viei-
ra da Silva-Arpad Szenes
261
. As fotografias de mulheres realizadas pelos 
três artistas, Man Ray, Jorge Martins e Julião Sarmento, mas sobretudo 
o conjunto e o tema que as une são mais um dos muitos exemplos de ex-
posições que revelam o “olhar falocêntrico e as estruturas institucionais” 
que “enquadram um determinado tipo de ideal feminino”
262
. De facto, 
poderíamos questionar-nos se as exposições de “retratos de mulheres”, 
mais  ou  menos  nuas,  mais  ou  menos  fragmentadas,  mais  ou  menos 
identificadas, não dirão tanto ou mais sobre a necessidade de afirmação 
da sexualidade dos próprios artistas (ou dos coleccionadores) do que 
propriamente sobre as mulheres fotografadas. Esta perspectiva pode ser 
comparada com aquela que tem sido explorada nos estudos sobre cul-
tura visual e colonialismo, onde as representações visuais dos “coloni-
zados” podem revelar mais sobre aqueles que produzem essas imagens 
– os colonizadores – do que sobre aqueles que estão representados. 

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