Filipa lowndes vicente a a rte sem his


    The Journal of Marie Bashkirtseff, [20 de Junho de 1882], p. 536.  245



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244.
    The Journal of Marie Bashkirtseff, [20 de Junho de 1882], p. 536. 
245.
    Tamar Garb, Sisters of the Brush, p. 68.
246.
    Tamar Garb, Sisters of the Brush, p. 53.
247.
    Tamar Garb, Sisters of the Brush, p. 81.
248.
    “Do women have to go naked to get into the Metropolitan Museum? 
Less than 5% of the artists in the Modern Art sections are women, but 85% of 
the nudes are female.”


185
Basta entrar num qualquer museu de arte europeia – do Renascimen-
to ao Modernismo – para constatar que predomina a representação 
do feminino. Uma diferença óbvia é que se, anteriormente, a mulher 
nua na pintura era historicizada, colocada numa narrativa que a re-
tirasse das referências ao mundo contemporâneo do observador e à 
corporalidade do “real”, a partir da segunda metade do século XIX ela 
passa a ser a mulher “real” que, no estúdio do artista-homem, ocupa 
o espaço quer da musa artística, quer da sexualidade latente entre ar-
tista e modelo. Mesmo hoje, e tal como denuncia ironicamente Rosa 
Olivares no editorial de uma edição de 2011 de uma revista espanhola 
de arte contemporânea, “as mulheres continuam a ter que estar nuas 
para entrar num museu”, só que agora, “em vez de estarem pintadas 
numa tela, estão numa 
performance, mas mesmo assim nuas”
249
. Por 
outro lado, até ao século XX, os homens constituem-se não apenas 
na grande maioria dos artistas visíveis mas, muitas vezes, também nos 
espectadores implícitos em espaços onde o nu feminino se constitui 
enquanto objecto do olhar e do desejo masculinos. Isto num contraste 
com certas tradições artísticas não-europeias, onde a mulher nua não 
surge como o objecto passivo que se oferece ao olhar deitada e exposta 
– como a famosa 
Vénus de Urbino de Ticiano, a Maja Desnuda de Goya 
ou a 
Olympia de Manet – mas, por exemplo, imersa numa relação se-
xual em que desempenha um papel tão activo como o homem (pense-
se nas representações eróticas da arte hindu ou persa)
250

T.J. Clark, na sua muito citada interpretação da 
Olympia de Ma-
net, analisou precisamente o modo como a protagonista da obra, nua 
e  reclinada,  subverte  o  olhar  do  espectador  masculino,  devolvendo- 
-o
251
.  Os  códigos  que  tendiam  a  neutralizar  os  efeitos  do  nu  femi-
nino na arte são desafiados precisamente por 
Olympia confrontar o 
espectador masculino com a realidade da sua condição de prostituta 
parisiense, mulher contemporânea de Oitocentos e não uma Vénus,  
249.
    Rosa Olivares, “Editorial. Nosotras”, EXIT. Express. Revista de Información 
y Debate sobre Arte Actual
, n.º 58 – “Mujeres, feminismos y género en España” 
(Abril-Maio de 2011), p. 5. 
250.
    Patricia Mayayo, Historias de Mujeres, Historias del Arte (Madrid: Ediciones 
Cátedra, 2003), p. 202; John Berger, excerto de “Ways of Seeing”, Amelia Jones, ed., 
The Feminism and Visual Culture Reader
 (Londres: Routledge, 2003), 1.ª ed., 1972, 
pp. 37-39, p. 39.
251.
    T.J. Clark, The Painter of Modern Life. Paris in the art of Manet and his 
followers
 (Nova Iorque: Knopf, 1985).

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