Filipa lowndes vicente a a rte sem his



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235
.
235.
    Holly Pyne Connor, ed., Off the Pedestal. New women in the art of Homer
Chase, and Sargent 
(New Brunswick, N.J.: Rutgers University Press, 2006), p. 24.
I D E NTI DA D E A RTÍ STI C A N O S ÉC U LO XI X



179
6.
Poder olhar:
mulheres observadas, mulheres observadoras 
(séculos XIX e XX)
Ver e viver a cidade: 
mulheres e cultura visual na Europa do século XIX
As mulheres, de todas as classes sociais e origens étnicas, surgem- 
-nos como um tema oitocentista. Prolongando imagens anteriores ou 
criando novas representações, elas são descritas por viajantes como 
mais um objecto na sua caracterização de um lugar; evocadas pelos 
cronistas sociais como parte da vida urbana; identificadas em livros 
de vocação social e política, empenhados em melhorar as condições 
dos mais desfavorecidos; ou analisadas por feministas também in-
teressadas  em  intervir  socialmente.  Ou  seja,  as  mulheres  surgem, 
na escrita masculina mas também na feminina, como um dos temas 
usados  para  identificar  um  lugar.  Mas  também  são  observadoras. 
Apesar dos limites à liberdade de movimentos das mulheres, que di-
ficilmente podiam gozar dos prazeres visuais do 
flâneur, personagem 
das  novas  cidades  tão  bem  descrito  quer  por  Baudelaire  quer  por 
Walter Benjamin
236
, as mulheres urbanas oitocentistas, europeias e 
norte-americanas, sobretudo as pertencentes às classes sociais mais 
privilegiadas, também tinham oportunidades para olhar. 
Como é que uma mulher podia ser observadora de arte ou, se 
fosse uma habitante de uma grande capital europeia, uma observa-
dora das mil e uma formas de cultura visual que o século XIX foi pró-
digo em inventar? Acompanhadas, de preferência, no espaço público 
ou isoladas no espaço privado, as mulheres podiam ver as exposições 
universais que periodicamente vinham ocupar os centros das gran-
des capitais europeias; as paisagens a desaparecer através das janelas 
dos  comboios;  as  imagens  litográficas  que  invadiam  os  jornais  na 
segunda metade do século; os inúmeros museus e colecções que se 
abriam a um público cada vez mais alargado; os panoramas, dioramas 
236.
    Charles Baudelaire, O Pintor da Vida Moderna, trad. e posf. de Teresa 
Cruz (Lisboa: Vega, 1993); Walter BenjaminCharles Baudelaire. A lyric poet in the era 
of high capitalism
, trad. de Harry Zohn (Londres: Verso, 1997).



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