Filipa lowndes vicente a a rte sem his



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201
.
201.
    Réplica da estátua original realizada por Teixeira Lopes em 1903 (a 
original encontra-se no Museu da Cidade, em Lisboa).


153
5.
Identidade artística no século XIX:
a artista-amadora, a artista-operária e a 
artista-masculina
A casa e a fábrica: os espaços legítimos da criatividade feminina
À multiplicação de mulheres artistas parece equivaler uma tentativa de 
as classificar. A sua maior visibilidade pública revelou-se inseparável da 
proliferação de espaços de exposição e de jornais. Classificar é também 
uma forma de impor uma ordem sobre aquilo que é novo e potencial-
mente ameaçador. Não foi por acaso, aliás, que as mulheres sufragistas 
se tornaram num alvo preferido dos desenhos e comentários jocosos 
da imprensa da época, numa tradição que persiste até aos nossos dias, 
onde ainda é comum “as feministas” serem referidas de forma jocosa ou 
condescendente na comunicação social. Assim, uma história das mu-
lheres artistas na segunda metade do século XIX também implica uma 
análise das construções – visuais e escritas – levadas a cabo por críticos 
de arte, antropólogos, caricaturistas, escritores ou jornalistas. Correndo 
o risco de simplificarmos entre a multiplicidade de reacções, positivas e 
negativas, ao fenómeno das mulheres artistas oitocentistas, poderíamos 
enunciar, em primeiro lugar, a imagem da “amadora”, inseparável do nú-
mero cada vez maior de mulheres que se dedicavam à prática artística 
num espaço doméstico e familiar; em segundo lugar, a artista-operária, 
indissociável da crescente industrialização; e, em terceiro lugar, a menos 
comum “artista-masculina” na qual se projectam muitas das ideias de 
género contemporâneas, nas suas persistências e contradições. Assim, 
as mulheres artistas deste período tinham que negociar os processos de 
criação artística e a sua profissionalização com as ideologias que se atri-
buíam ao seu sexo
202
.   
Finalmente, veremos como surgem, no século XIX, várias tenta-
tivas de caracterizar a arte produzida por mulheres. Este fenómeno é 
indissociável da construção da identidade da artista-amadora que, ao 
fazer uma “arte feminina”, não corre o risco de ocupar o espaço da cria-
ção artística de maior prestígio dominado pelo masculino. Por um lado, 
202.
    Laura R. Prieto, At Home in the Studio. The professionalization of women 
artists in America
 (Cambridge, Mass., e Londres: Harvard University Press, 2001), p. 1.



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