Filipa lowndes vicente a a rte sem his



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Sarah Affonso,
 
Família,
 1937, óleo sobre tela, Centro de Arte Moderna
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. © Sarah Affonso/SPA 2011.
194.
    Whitney Chadwick e Isabelle de Courtivron, eds., Significant Others: 
Creativity & intimate partnership
 (Nova Iorque: Thames and Hudson, 1993); Valeria 
Palumbo, Prestami il Volto. Donne oltre il ritratto (Milão: Selene Edizioni, 2003).


147
Se, no século XIX, Camille Claudel ainda viu coarctadas as suas 
ambições de frequentar a École des Beaux-Arts em Paris, mais tarde 
os  obstáculos  são  outros,  menos  evidentes  mas  igualmente  pode-
rosos: não aqueles que dependem do exterior, das solicitações do 
mercado artístico, das possibilidades educacionais, da crítica ou da 
história da arte, mas sim aqueles que são inerentes à própria vida 
afectiva e social do casal de artistas. Estas hierarquias mais ou me-
nos explícitas podiam advir das complexidades da relação entre o 
casal  –  da  gestão  dos  egos  à  gestão  de  um  quotidiano  doméstico 
onde  nem  sempre  há  espaço  para  que  ambos  se  dediquem  plena-
mente às exigências do trabalho artístico. O caso de Sarah Affonso 
e de Almada Negreiros é paradigmático da complexidade de razões 
que podem levar uma mulher a abandonar a sua prática artística
195

Muitas vezes, não são apenas as exigências domésticas ou familiares, 
ou os problemas que isso poderia criar na relação de casal, mas sim 
um conjunto de razões, pequenas até, mas que podem tornar mais 
difícil o quotidiano indisciplinado das profissões criativas, até as im-
possibilitarem. Na sua reflexão sobre as razões que a levaram a deixar 
de pintar, Sarah Affonso parece tornar literal o sentido que Virginia 
Woolf dera ao seu ensaio 
Um Quarto Que Seja Seu.
Uma das razões por que deixei de pintar foi porque não tinha condições, 
não tinha um quarto para mim. Aqui trabalhava o José [Almada 
Negreiros], e o José escondia-me tudo. Dizia que não podia ver coisas 
que não fossem dele. Não era por mal que fazia isso, eram infantilidades, 
e eu dizia-lhe: “Quando vim viver contigo, foi para viver bem. É mais 
fácil viver mal do que viver bem. Mas eu decidi a minha vida assim, não 
quero viver mal contigo.”

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