Filipa lowndes vicente a a rte sem his


inscritas na Academia de Belas-Artes do Porto também são deste  período 188



Baixar 5.05 Mb.
Pdf preview
Página133/298
Encontro09.02.2022
Tamanho5.05 Mb.
#21513
1   ...   129   130   131   132   133   134   135   136   ...   298
143
inscritas na Academia de Belas-Artes do Porto também são deste 
período
188
.
No entanto, o facto de não existirem regras escritas a impedir o 
acesso de mulheres aos principais espaços portugueses de ensino ar-
tístico e de a questão do nu não se ter posto não quer dizer que as 
mulheres que optassem por frequentar as escolas de belas-artes não 
fossem “sujeitas a discriminação, ridicularizadas ou tratadas em estatu-
to de menoridade indulgente”, tal como Ortigão de Oliveira escreveu 
a propósito de Aurélia de Sousa
189
. Mesmo no século XX, os factores 
sociais não-escritos continuavam a ser igualmente dissuasores. Sarah 
Affonso, ao recordar os seus começos como artista em Lisboa, nas pri-
meiras décadas do século XX, refere especificamente o desenho do nu 
como um entrave não-oficial ao ensino artístico: “As Belas-Artes não 
eram frequentadas por raparigas, por causa dos nus”, e “mesmo filhas 
de arquitectos e pessoas mais abertas não deixavam as filhas [ir para 
as Belas-Artes] porque achavam que não era preciso ver homens nus, 
para fazer desenho”
190
. “E não era preciso”, continuava Sarah Affonso, 
dizendo que, mesmo quando esteve em Paris e frequentou as acade-
mias livres, os homens que posavam nus usavam uma “
trousse preta”. 
Mesmo assim, em 1915, quando a artista entrou na Escola de Belas- 
-Artes de Lisboa, foi acompanhada de muitas outras raparigas, “tudo 
gente mais ou menos civilizada”.  
Além da questão do nu, vários outros argumentos eram invoca-
dos para não aceitar mulheres como estudantes de Belas-Artes, em Pa-
ris: desde a perturbação que isso suscitaria nos estudantes masculinos 
à “feminização” da escola, ou seja, a diminuição da sua qualidade ou, a 
um nível mais geral, a perda de prestígio das próprias Belas-Artes. Ou-
tra reacção comum era: “Porque é que elas queriam entrar na Escola?”  
188.
    Cristina Amélia Machado, no relatório de 1881/1882; no relatório de 
1888/89, existem os nomes das  alunas em anos diferentes: Ines Pieper, Emília 
Ernestina da Silva e Alice Amália da Silva Grilo. No relatório de 1894/95, surge 
Maria Aurélia Martins de Souza como estando a frequentar o 4.º ano: Maria 
Helena Lisboa, As Academias e Escolas de Belas Artes e o Ensino Artístico (1836-
-1910)
 (Lisboa: Colibri, 2007), p. 137.
189.
    Maria João Lello Ortigão de OliveiraAurélia de Sousa em Contexto. A 
cultura artística no fim de século
 (Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2006), 
p. 211.
190.
    Maria José de Almada NegreirosConversas com Sarah Affonso (Lisboa: 
Edições “O Jornal”, 1982), p. 17; Maria José de Almada Negreiros, Sarah Affonso 
(Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1982); Idalina Conde, “Sarah Affonso, 
mulher (de) artista”, Análise Social, vol. XXX, n.º 131-132, 1995, pp. 459-487.

Catálogo: bitstream -> 10451

Baixar 5.05 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   129   130   131   132   133   134   135   136   ...   298




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal