Filipa lowndes vicente a a rte sem his


A C A M I N H O DA PRO F I S S I O N A LI Z AÇ ÃO



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A C A M I N H O DA PRO F I S S I O N A LI Z AÇ ÃO


A A RTE S E M H I STÓ R I A
142
obstáculo ao desenvolvimento artístico feminino
184
. Mesmo quan-
do o modernismo veio retirar a importância que o estudo do modelo 
nu tivera na educação artística desde o período renascentista e as 
escolas de ensino académico deram lugar a outras formas de apren-
dizagem, a representação do nu na arte continuou a estar imbuída de 
divisões de género, como veremos no capítulo sobre representações 
das mulheres na arte. 
Como já afirmámos, em Portugal a questão do nu no ensino 
artístico das mulheres não parece ter sido invocada para afastar as 
mulheres das Escolas de Belas-Artes. Uma possível explicação para 
este factor poderá estar na falta de institucionalização das escolas 
artísticas nacionais, assim como na maior marginalidade do mun-
do artístico em relação a outros contextos sociais. Assim, os esta-
tutos  da  Academia  de  Belas-Artes  começaram  por  não  referir  ex-
plicitamente a inclusão ou a exclusão de mulheres
185
. Mais tarde, 
porém, com a reforma de 1881, surgiu a referência clara ao facto de 
a escola admitir alunos de ambos os sexos, algo que Maria Helena 
Lisboa atribui ao facto de datarem desse período os primeiros re-
gistos de frequência de alunas na Academia de Lisboa (ano lectivo 
de  1879/80)
186
.  As  quatro  alunas  inscritas  frequentaram  o  curso 
de Desenho, entre outros, mas não fizeram estudos de desenho de 
arquitectura nem modelo vivo, o que normalmente significava mo-
delo nu, ou seminu. O que parece ter acontecido, pelo menos num 
dos casos, é diametralmente inverso ao que acontecia nas escolas e 
academias de belas-artes de Londres e Paris: uma das alunas, Alber-
tina de Melo Falkner, teria requerido à escola autorização para não 
fazer o exame de modelo vivo por não ter frequentado esse curso, 
mas o Conselho teria recusado o seu pedido, reiterando a necessi-
dade de ela se submeter a todas as provas

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