Filipa lowndes vicente a a rte sem his


V. Ratier,   Imagine que está a pintar um tema histórico



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V. Ratier,
 
Imagine que está a pintar um tema histórico,
 c. 1820, litografia, 
Cabinet des Estampes et de la Photographie, Bibliothèque nationale de France, 
Paris, França.
A C A M I N H O DA PRO F I S S I O N A LI Z AÇ ÃO


A A RTE S E M H I STÓ R I A
132
Em Paris, no princípio da década de 1880, Marie Bashkirtseff, 
estudante de Belas-Artes na Academia Julian de Paris, escreveu no seu 
diário as palavras que poderiam ser comparadas com as de Anna Mary 
Howitt, a trabalhar em Londres quarenta anos antes: “Vimos a École 
des Beaux-Arts. Foi o suficiente para eu ficar com vontade de chorar.
Porque é que eu não hei-de poder ir estudar para lá? Onde é que é 
possível obter um ensino tão completo como ali?”
168
 Como aluna da 
Academia Julian, Bashkirtselff, uma aristocrata de origem ucraniana 
mas a viver em França desde a infância, representava bem as jovens 
mulheres com ambições artísticas que enchiam as academias privadas 
parisienses da segunda metade do século XIX. Estas escolas privadas 
constituíam a alternativa à não-aceitação da escola oficial, mas uma 
alternativa que apenas era acessível àquelas que a pudessem pagar, so-
bretudo porque, precisamente por as mulheres não poderem optar, as 
propinas que lhes eram cobradas eram o dobro das dos homens, como 
acontecia na Academia Julian
169
.   
O mais antigo dos estúdios parisienses abertos às mulheres era o 
de Charles Chaplin, mas aquele que se tornou mais conhecido e por 
onde passaram mais artistas de sucesso francesas e estrangeiras foi, de 
facto, a academia fundada por Rodolphe Julian em 1868, graças, tam-
bém, ao facto de uma das suas alunas, Marie Bashkirtseff, ter publica-
do os seus diários logo em 1887
170
. Além de possibilitarem o acesso ao 
estudo do modelo nu (feminino), forneciam um ensino bastante simi-
lar ao providenciado pela École, pois muitos dos professores eram os 
mesmos. Mas se, nesta academia, as regras para alunas e alunos eram 
as mesmas e, segundo Bashkirtseff, o seu dono, Julian, considerava que 
168.
    The Journal of Marie Bashkirtseff, trad. de Mathilde Blind, introd. de 
Rozsika Parker e Griselda Pollock (Londres: Virago Press, 1985), p. 340. A primeira 
edição dos seus diários é de 1887, em Paris, e no francês original em que foi 
escrito [1.ª ed.: Journal de Marie Bashkirtseff, vols. I e II (Paris: G. Charpentier, 
1887)]; a primeira edição inglesa é logo em 1890. Optei por usar esta edição 
inglesa pois tem uma introdução de duas das historiadoras da arte que mais se 
têm dedicado ao estudo da prática artística realizada por mulheres. 

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