Filipa lowndes vicente a a rte sem his



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Enquanto instituição, a Royal Academy continuava a ocupar um 
lugar central no mundo artístico inglês, sendo o lugar de formação da 
grande maioria dos artistas no activo durante o século XIX. Assinada 
por 38 nomes, a petição não teve o efeito desejado, mas foi a primeira 
de uma série de manifestações públicas, que teve o mérito de obrigar a 
167.
    “The Women’s petition to the Royal Academy of Arts, 1859”, texto 
reproduzido em Pamela Gerrish Nunn, Victorian Women Artists (Londres: The 
Women’s Press, 1987), p. 46; e em Deborah CherryPainting Women. Victorian 
women artists
 (Londres e Nova Iorque: Routledge, 1993), pp. 224-225. Como não 
consegui encontrar nenhuma versão portuguesa deste texto, optei por traduzi-lo 
e reproduzi-lo na íntegra. 


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Royal Academy a responder àquilo que parecia inquestionável. Como 
era norma nestes casos, um gesto não era suficiente para fazer abalar 
a  força  inamovível  das  estruturas  institucionais.  Assim,  as  décadas 
seguintes testemunharam uma série de outros acontecimentos, num 
braço-de-ferro entre mulheres artistas e a Royal Academy, que esteve 
longe de ser um processo linear, recuando quando pareciam nascer 
os primeiros sinais de abertura. Em 1860, por exemplo, uma artista 
chamada Laura Herford candidatou-se a ser aluna da escola, assinan-
do as suas telas com as iniciais do seu nome. Ao ocultar o seu sexo, 
foi aceite como aluna, e o paradoxo é que não existia nenhuma regra 
escrita no regulamento interno que impedisse a entrada de mulheres. 
Perante as pressões que pareciam não esmorecer, foi estabelecida uma 
regra específica que impedia a entrada de elementos do sexo feminino. 
O principal problema invocado para a não-aceitação de mulheres era, 
tal como em França, o incómodo que causaria a presença feminina 
nas aulas de desenho a partir de modelos nus. No fundo, tratava-se 
do exercício considerado mais essencial na formação de um artista. 
Assim, as mulheres podiam frequentar as aulas de desenho a partir de 
reproduções em gesso, ou assistir às conferências públicas, por exem-
plo, mas isso não as tornava alunas da Royal Academy.
  
  

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