Filipa lowndes vicente a a rte sem his


A A RTE S E M H I STÓ R I A



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A A RTE S E M H I STÓ R I A
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com as instituições da arte e a questão do acesso à educação artística 
são, sem dúvida, um destes temas. A combinação entre proliferação 
de mulheres artistas e a sua exclusão parcial ou total das instituições 
de ensino artístico e espaços de exposição levou, por um lado, a uma 
inevitável  criação  de  espaços  alternativos,  sobretudo  em  cidades 
como  Paris  e  Londres,  e,  por  outro,  à  multiplicação  de  tentativas 
para modificar as regras daqueles lugares que as discriminavam. 
De facto, ao longo do século XIX, sobretudo na sua segunda 
metade, tanto podemos encontrar inúmeros gestos, individuais e co-
lectivos, empenhados em alterar as regras institucionais de exclusão 
das mulheres, como iniciativas que visavam criar um “mundo artís-
tico” paralelo: abertura de escolas, estúdios e aulas só para mulhe-
res; criação de espaços de exposição só para mulheres; e criação de 
associações de mulheres artistas. Se alguns destes gestos podem ser 
analisados no contexto mais alargado dos movimentos feministas, 
é necessário ter em conta que nem todas as mulheres artistas que 
empreenderam acções no sentido da sua afirmação profissional se 
consideravam feministas. Muitas delas limitavam as suas actividades 
aos seus próprios interesses, sem as extrapolar para outros campos 
sociais, culturais ou políticos. Outras, no entanto, viam as discrimi-
nações contra as mulheres artistas como parte de um contexto mais 
alargado que diminuía e desvalorizava o feminino e que também ha-
via que combater. Era o caso da pintora e feminista inglesa Barbara 
Leigh Smith Bodichon (1827-1891) que, como tantas outras, exer-
cia o seu activismo em várias frentes
159

Em finais do século XIX, era já difícil definir o feminismo en-
quanto movimento ou acção unitários pois, em lugares como o Rei-
no Unido, este tomava uma multiplicidade de formas e de sentidos. 
Havia inúmeras mulheres descontentes com os limites à sua criativi-
dade e à sua inteligência. A própria Barbara Bodichon, por exemplo,  
Espanha: ver Estrella de DiegoLa Mujer y la Pintura del XIX Español. Cuatrocientas 
olvidadas y algunas más
 (Madrid: Ediciones Cátedra, 2009). 
159.
    Ver biografia de Barbara Bodichon, uma mulher multifacetada, artista e 
feminista que esteve envolvida em inúmeros movimentos de direitos das mulheres 
e foi uma figura central nas iniciativas para profissionalizar e dignificar as mulheres 
artistas: Pam Hirsch, Barbara Leigh Smith Bodichon (1827-1891). Feminist, artist and 
rebel 
(Londres: Pimlico, 1999); ver a minha recensão a este livro: “Barbara Leigh 
Smith Bodichon (1827-1891): Uma pioneira do feminismo e a sua geração”, Faces 
de Eva
, n.º 8 (Edições Colibri-Universidade Nova de Lisboa, 2002), pp. 55-66.



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