Filipa lowndes vicente a a rte sem his


A S A RTI STA S D E S CO N H EC I DA S DO PA S SA DO N ÃO E XI STE M



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A S A RTI STA S D E S CO N H EC I DA S DO PA S SA DO N ÃO E XI STE M
e ampla, uma estrutura de revelação colectiva e sintomal, uma cons-
trução monumental e documental das transformações do ser humano. 
Claro  que  este  processo,  simbolicamente  a  contracorrente  da 
instauração da modernidade e do seu igualitarismo, implica também 
uma análise dos critérios de valoração da História da Arte, como a no-
ção de qualidade artística, ou de excelência – ou, mais recentemente,  
daquilo que é “interessante”. Todas estas categorias são necessariamente  
históricas e possuem a sua sombra, o seu recalcado – e é em busca 
desse recalcado, ou melhor, do seu processo de recalcamento, que este 
livro prossegue.
O  título  do  livro  é,  portanto,  muito  significativo  – 
A  Arte  sem 
História  –,  o  que  é,  evidentemente,  uma  contradição  nos  termos. 
Ou melhor, a afirmação está incompleta: arte ainda sem história, arte 
antes da estabilização da metafísica, como o discurso de Diotima em 
O Banquete de Platão. Arte no processo de vaivém do seu reconheci-
mento, entre Penia e Poros, entre a falta e o engenho. 
É isto que o livro de Filipa Vicente persegue, começando, mui-
to inteligentemente, pelo momento em que, estruturalmente, a visão 
sobre as práticas artísticas feministas se estabeleceu, implicando uma 
diferente  consciência  acerca  dos  mecanismos  de  segregação,  gueti-
zação, apagamento e identidade. É neste momento que nasce a arte 
feminista, não porque não existisse antes, mas porque é a sua consci-
ência, a consciência da sua inscrição ideológica, o braço-de-ferro para 
a abertura de campo da sua premência, que a possibilita como coisa e 
como nome.
A partir daqui, o texto segue um percurso que implica um recuo 
histórico, primeiro, e uma análise tipológica, depois. Existe, claro, um 
sopro de trombetas nesta escrita, um tom de anúncio e reivindicação 
pouco comuns na nossa academia (e a autora é académica e investi-
gadora), que é essencial ao desafio que pretende colocar aos nossos 
processos de inscrição.
Evidentemente, este é um livro que deveria suscitar um debate, 
não sobre a arte no feminino, mas sobre algumas das reflexões que 
propõe em torno da qualidade artística, dos modelos historiográficos, 
da História da Arte Portuguesa recente. A sua militância, associada à 
sua erudição, requerem-no.
Não podia deixar de salientar que a utilidade deste estudo está 
também presente na óptima bibliografia, quase um vade-mécum das 



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