Filipa lowndes vicente a a rte sem his


partir de um cânone artístico já existente simplesmente não encon-



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partir de um cânone artístico já existente simplesmente não encon-
trará o objecto de estudo “mulheres artistas”, tal como o demonstra 
o trabalho de Luísa Arruda e Aline Gallasch Hall.
153.
    Aline Gallasch Hall, “Pintoras Portuguesas do século XVIII”, Luísa 
Capucho Arruda e Aline Gallasch HallMulheres do Século XVIII. Pintoras 
portuguesas
 (Lisboa: Ela por Ela, 2006), pp. 66-67.
154.
    Maria Helena LisboaAs Academias e Escolas de Belas Artes e o Ensino 
Artístico (1836-1910)
 (Lisboa: Colibri, 2007), p. 137; Maria João Lello Ortigão de 
Oliveira, Aurélia de Sousa em Contexto. A cultura artística no fim de século (Lisboa: 
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2006), p. 211.


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No seu estudo sobre artistas, imagens e ideias na pintura do sé-
culo XVIII, Nuno Saldanha já chamou a atenção para a forma como 
a historiografia da arte nacional, no seu fechamento ao exterior, não 
tem dado prioridade às contextualizações histórico-culturais do seu 
objecto  de  estudo,  como  da  própria  disciplina,  nem  à  “revolução 
epistemológica” da “desconstrução”
155
. Embora, aqui, o autor não 
aborde a questão das mulheres artistas, apenas referindo o nome de 
algumas, como Joana do Salitre ou Catarina Vieira, irmã de Vieira 
Lusitano, poderíamos acrescentar que qualquer tentativa de estudar 
a  produção  artística  de  mulheres  durante  este  período  exige  uma 
contextualização histórico-cultural. O catálogo da exposição sobre 
a pintura em Portugal no tempo de D. João V teve o mérito de ins-
crever a questão das mulheres artistas no interior do tema, mais alar-
gado, da pintura portuguesa do século XVIII, algo que não é muito 
comum na historiografia da arte portuguesa. Aqui, Saldanha já dedi-
cou alguma atenção às mulheres artistas através do caso de D. Ana 
de Lorena e, mais tarde, na revista 
Arte Ibérica, defendeu mesmo a 
necessidade de se estudarem as “diversas dezenas de mulheres que 
se dedicaram à pintura” nos séculos XVII e XVIII
156
. O historiador 
da arte notou aquilo que também tem sido afirmado a propósito de 
outras  mulheres  artistas  europeias  desde  o  século  XVI:  embora  o 
seu nome fosse referido frequentemente pelos seus contemporâne-
os, Ana de Lorena tem sido “habitualmente esquecida, aliás como 
todas as mulheres pintoras do século XVIII, pela nossa historiografia 
da arte”, com a excepção de Josefa de Óbidos, do século XVII

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