Filipa lowndes vicente a a rte sem his


. Este e outros casos demonstram  149



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150
. Este e outros casos demonstram 
149.
    H. Lapauze, ed., Procès-Verbaux de la Commune Générale des Arts et de la 
Société Populaire et Républicaine des Arts
 (Paris: Imprimerie Nationale, 1903), pp. 
L-LI e 183-185, cit. por Ann Sutherland Harris e Linda NochlinWomen Artists: 
1550-1950
, p. 46.
150.
    Apesar das restrições institucionais, a França conheceu um número 
significativo de mulheres artistas, algumas delas alunas de David, como Nanine 
Vallain, Pauline Auzon e, sobretudo, Marie-Guilhelmine Benoist. Esta, que, além de 
discípula de David, também foi discípula de Vigée-Lebrun, chegou a ser subsidiada 


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que à existência de um maior número de mulheres artistas profissio-
nais, como aconteceu no período pós-revolucionário em França, não 
equivale necessariamente uma maior abertura das instituições artísti-
cas. Ao avanço cronológico não corresponde forçosamente uma maior 
e melhor recepção à produção artística feminina, ou seja, não é por 
progredirmos nos séculos que os obstáculos à identificação entre mu-
lher e artista vão diminuindo. Esta história é feita de contradições e de 
inconsistências ou, para usar a linguagem do progresso histórico, de 
avanços e recuos em relação a períodos anteriores. Se o carácter excep-
cional das mulheres artistas não ameaçava necessariamente as insti-
tuições artísticas, quando os números e a visibilidade de mulheres ar-
tistas começaram a aumentar consideravelmente, algumas instituições 
acentuadamente masculinas sentiram a necessidade de regulamentar 
a sua identidade. Muitas vezes, a uma maior normatização pode equi-
valer uma maior limitação às liberdades individuais, e é neste contexto 
que devemos ler os casos de instituições que, no século XVIII, permi-
tiam a entrada de mulheres, proibindo-a no século XIX. 
 Esta tendência para que as mulheres artistas deixassem de ser 
uma  excepção  levará  a  um  fechamento  das  instituições  à  incorpo-
ração  das  mulheres
151
.  Isto  dá-se,  sobretudo,  nas  instituições  mais 
prestigiadas e mais visíveis, e não será por acaso, pois são estas que 
mais necessidade sentem de constituir uma auto-regulamentação que 
as defina enquanto elite, uma elite que se veria desprestigiada com a 
presença de mulheres. Isso explicaria por que é que, ao contrário da 
academia parisiense, as academias de cidades secundárias francesas, 
menos prestigiadas, revelavam uma maior abertura ao sexo femini-
no, como acontecia, por exemplo, com a Academia de Toulouse que, 
na  segunda  metade  do  século  XVIII,  tinha  entre  os  seus  estudan-
tes 111 mulheres
152
. Um fenómeno paralelo teve lugar em Portugal 
onde, por exemplo, a Irmandade de S. Lucas tinha algumas mulheres  
pelo Governo napoleónico e desenvolveu uma brilhante carreira até ao 
momento em que o marido se tornou conselheiro de Estado, e ela, com enorme 
tristeza, viu-se obrigada a abandonar a sua profissão, por não ser considerado 
socialmente apropriado que continuasse a expor publicamente: Ann Sutherland 
Harris e Linda NochlinWomen Artists: 1550-1950, p. 50.
151.
    Juliette Rennes, “La République face à l’accès des femmes à la 
méritocratie: enjeux et controverses (France 1880-1940)”, Delphine Naudier 
e Brigitte Rollet, eds., Genre et Légitimité Culturelle. Quelle reconnaissance pour les 
femmes?
 (Paris: L’Harmattan, 2007), pp. 57-73.

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