Filipa lowndes vicente a a rte sem his


Elizabeth Vigée-Lebrun, Retrato de Luísa Todi



Baixar 5.05 Mb.
Pdf preview
Página103/298
Encontro09.02.2022
Tamanho5.05 Mb.
#21513
1   ...   99   100   101   102   103   104   105   106   ...   298
Elizabeth Vigée-Lebrun, Retrato de Luísa Todi,
 óleo sobre tela, 1789, 
Museu da Música, Lisboa.
O caso específico de Lebrun, aqui analisado em pormenor atra-
vés do texto de um dos seus críticos, serve para exemplificar a forma 
como o olhar tem género e como o ser mulher artista no século XVIII é 
uma categoria que se encontra sujeita a definições, por vezes contradi-
tórias. É preciso também ter em conta que as próprias transformações 
do mundo da arte que se deram ao longo do século XVIII tornaram 
DA E XC E PÇ ÃO À E XC LU SÃO


A A RTE S E M H I STÓ R I A
114
mais visível a existência de mulheres artistas, com isso provocando re-
acções que, anteriormente, teriam permanecido no foro privado. Refe-
rimo-nos à sempre crescente importância das exposições temporárias 
abertas ao público, à multiplicação de espaços não-privados ligados às 
artes, à consolidação de uma escrita crítica sobre as exposições e sobre 
arte, muitas vezes divulgada através dos jornais, e, em geral, à trans-
ferência do domínio artístico de um espaço privado para um espaço 
mais público. Neste contexto de crescente visibilidade, as mulheres 
artistas impunham-se ao olhar de um público que também alargava o 
espectro dos seus membros.    
Apesar  da  sua  recorrente  descrição  como  excepção,  a  fama  de 
Vigée-Lebrun levou outras mulheres a seguirem o mesmo caminho, 
criando  um  precedente  que  alguns  consideraram  perigoso.  Quan-
do, após a Revolução Francesa, se estabeleceu a Société Populaire et 
Républicaine des Arts, em 1793, e se discutiu a inclusão de mulheres 
artistas, um dos seus membros invocou a “citoyenne le Brun” como 
sendo a culpada das pretensões a artistas demonstradas por algumas 
mulheres. Teria sido ela, com o seu talento excepcional, a inspirar mui-
tas mulheres a pintarem, “em vez de se dedicarem a bordar as bainhas 
das espadas e os gorros da polícia”
149
. Finalmente, a Société do perío-
do pós-revolucionário decidiu não admitir membros do sexo femini-
no. Considerou-se que admitir a excepção poderia incentivar outras 
mulheres não-excepcionais a seguirem o mesmo caminho, ameaçan-
do assim a ordem natural das instituições. Este caso demonstra-nos 
como as instituições se encontravam preparadas para reconhecer as 
mulheres enquanto excepção, como aconteceu com Lebrun antes da 
Revolução, mas não para as aceitar quando o seu estatuto de excepção 
parecia estar a perder-se.
Foram muitas as instituições artísticas que, ao longo do século 
XIX, optaram por não abrir excepções, assumindo a total exclusão de 
mulheres entre os seus membros

Catálogo: bitstream -> 10451

Baixar 5.05 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   99   100   101   102   103   104   105   106   ...   298




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal