Filipa lowndes vicente a a rte sem his


A A RTE S E M H I STÓ R I A



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A A RTE S E M H I STÓ R I A
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do novo, uma certa reconfiguração da ideia de herói, romantizada e 
por vezes conservadora, fez desacelerar os ventos de uma moderni-
dade  mais  paritária.  Nalguns  contextos,  possivelmente  também  no 
contexto português, a tónica marxista na figura do revolucionário e 
do clandestino que também (até pela militância política de alguns) 
atravessou as representações imagéticas, desde a pintura à fotografia, 
teve o efeito perverso de solidificar representações sociais de género: 
o militante e a sua companheira, o artista e a sua musa, etc. Por outro 
lado, um país que viveu uma guerra colonial de mais de uma década 
possui, necessariamente, inscrita na sua história recente as figuras do 
combatente e da sua retaguarda feminina e caseira.
Por todas estas razões e muitas mais, o livro de Filipa Vicente é im-
portante na medida em que se dirige a um apagamento, levantando as 
suas razões e as suas causas, estabelecendo parâmetros de comparação 
e usando metodologias analíticas que não estão suficientemente esta-
bilizadas na História da Arte em Portugal.
Basicamente,  aquilo  que  a  autora  propõe  é  uma  conscienciali-
zação dos processos ideológicos das diversas matrizes da História da 
Arte, encontrando padrões de registo, inscrição e estabilização da me-
mória que só podem ser compreendidos a partir de contextos especí-
ficos – ideológicos, culturais e sociais – da sua produção. A História da 
Arte não é uma ardósia na qual as práticas artísticas se vão inscreven-
do como um processo natural, como a terra que fica molhada depois 
da chuva. É uma laboriosa teia de inscrições, nas quais a academia, 
as instituições de produção e divulgação artísticas, a crítica e, enfim, 
todos os processos de 
gate keeping do mundo da arte desempenham 
um papel que resulta em discursos sobre o que é, ou não, arte, sobre o 
que é, ou não, boa arte – e sobre o que é a própria História da Arte. Se a 
História da Arte é, num determinado momento, a história do espírito, 
ou a história da forma, ou a história dos estilos, ou do estilo, ou das 
transformações, ou das rupturas, implica diferentes narrativas e pro-
cessos de construção.
Aquilo que Filipa Vicente nos diz é que, à medida que a História 
da Arte se foi edificando, ou seja, à medida que se converteu de nar-
rativa biográfica, com Vasari, em disciplina estruturada, com Winckel-
mann, a presença feminina se esbateu, porque a questão deixou de ser a 
narrativa pessoal, para passar a ser a pertença a uma estrutura mais vasta  



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