Fazenda Angahy e a Seleção “Selva Morena” Uma História de Qualidades



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Fazenda Angahy e a Seleção “Selva Morena” - Uma História de Qualidades

A Fazenda Angahy foi fundada pelo bisavô paterno do Cel. Christiano dos Reis Meirelles, José Garcia Duarte, irmão mais moço do legendário Januário Garcia, “o 7 orelhas”, nome este que sempre será respeitado em Minas Gerais, por volta de 1782.

A Família Meirelles tem junção com a Família Junqueira desde as suas origens, pois ambas descendem das célebres e tradicionais “Três Ilhôas” que foram três irmãs “Maria” procedentes da ilha do Fayal, Arquipélago dos Açores - Portugal, que deram origem a diversas e importantíssimas famílias do Sul do Estado de Minas Gerais que se espraiaram por todos os estados do Brasil, de Norte a Sul, as quais deixaram numerosa prole. São estas as famílias: Souza Meirelles, Junqueira, Rezende e Villela.

Pois bem, uma filha de José Garcia Duarte, por nome Ana das Dôres Garcia, casou-se com seu parente João de Souza Meirelles, originando o clã da Família Souza Meirelles. O berço desta numerosa Família foi a Fazenda Angahy (“rio dos homens”, na linguagem indígena), situada à margem do mesmo rio, distante 12 Km de Cruzília, Sul de Minas. Cel. Christiano dos Reis Meirelles, seu quarto proprietário, era o último filho de uma série de catorze do casal Alferes José de Souza Meirelles e Ana Paulina de Rezende Reis. Nasceu a 14 de Novembro de 1860 na própria Fazenda Angahy, onde também faleceu a 1º de Janeiro de 1944, aos 83 anos calçando as suas tradicionais botas para andar em seu cavalo favorito, um puríssimo ‘Angahy’.

Assumiu o comando da fazenda em 1882, ano do seu enlace com Blandina Noberta de Meirelles, mulher de beleza invulgar. Voltado ao trabalho, dedicou-se com afinco e pertinácia admiráveis à pecuária, obtendo significantes vitórias, frutos do seu esforço mais profundo, entre as quais se destaca a formação entre 1892 e 1895 de um tipo especial de cavalos da raça Mangalarga Marchador impregnado de características marcantes: o perfil retilíneo, a cabeça seca, a fronte ampla, os olhos vivos e proeminentes, as orelhas bem implantadas e atesouradas e, sobretudo, a marcha batida firme, cômoda, de rendimento e avante.

Todavia, sua criação tomou impulso e ganhou fama com a vinda do extraordinário “CAXIAS I”, cavalo este que seu irmão Olimpio de Souza Reis descobriu em Leopoldina, na Fazenda Luiziana do parente distante José Venceslau de Arantes Junqueira. “CAXIAS I” exerceu tamanha influência na raça, a ponto de ser considerado um pilar sólido da raça Mangalarga Marchador.

Era tordilho, muito bom de andar, e de uma vivacidade tremenda. Basta dizer que o Coronel Christiano jamais encontrou o Caxias dentro de sua cocheira com as orelhas paradas. Estas estavam sempre em movimentos de troca.

Estou contando toda esta história da Fazenda Angahy por ser lá o meu ponto de partida, meu embrião como criador da Raça Mangalarga Marchador. Em 1957, com apenas 11 anos de idade, ganhei do meu avô Adeodato um potro negro filho da castiça Angahy Rainha com o raçador emérito Traituba Satyro, a quem pus o nome de Presente, por se tratar de um verdadeiro presente recebido com imenso carinho do meu estimado avô.

Neste momento, não poderia deixar de fazer uma homenagem a este homem extraordinário que foi o Adeodato, um homem de bem, de caráter, de respeito, de uma bondade incomensurável, muito querido por todos e que ajudou a muitos, sem nunca esperar qualquer retorno.

Adeodato dos Reis Meirelles foi também o criador do cavalo Mangalarga Marchador registro Nº 01 da raça: Angahy – Grande Campeão Nacional da Raça em 1950, na Gameleira.

Pois bem, foi com este potro Angahy Presente, muito raçudo, ótimo de marcha e exuberante na sela, que iniciei a minha criação. O Angahy Presente e o Duque J.B. (Sincero J.B. x Moama J.B.) foram os cavalos que marcaram a minha sela: eram extraordinários, marchadores natos, cadenciados, briosos, autênticos Manga – “Larga”. Hoje em dia, eu pessoalmente noto uma troca da “Cadência da Marcha” pela “Freqüência”, ou seja, uma troca da maior amplitude de passadas pelas passadas mais curtas.

Algumas das primeiras éguas-base da minha criação foram filhas e netas do Angahy Presente: Granfina (Nº 5 do Livro de Elite Especial Nº 8) mãe de Pega Lobo (Campeão Nacional em 1984); Rolinha, mãe de Ribalta (Campeã da Raça na Estadual de Minas-Varginha); Jóia, mãe da Juventude, que é mãe de Cabuçu, de Jangada (Campeã da Raça em São Paulo em 2002) e de Fonte Azul Hindu (Campeão Potro Jovem BH em 2010); Ana Bela, mãe de Almirante (Campeão Nacional por 2 vezes e Campeão de Provas Funcionais), e Castanha (neta Angahy Presente), mãe de Faia, que é mãe da Fá (Campeã Nacional Égua Jovem).

Meus primeiros animais que alcançaram sucesso em pistas por este Brasil afora foram: Pega Lobo, Ribalta, Baviera e a Bavária (filha de Baviera com Pega Lobo). Com esta “Quadra de Ases” ganhei muitas exposições, culminando sempre com Campeonatos Nacionais. A Bavária, por exemplo, sagrou-se Campeã das Campeãs de Marcha numa prova nacional instituída pela ABCCMM realizada na cidade de Varginha (MG), julgada pelo eminente cavaleiro Paulo César Junqueira de Andrade (‘Tio Paulo’), um dos maiores conhecedores da raça em todos os tempos. Sua mãe, a Baviera, foi da mesma forma, Campeã Nacional de Marcha em BH em 1986, tendo competido com soberbas éguas adultas, pois era na ocasião uma bela égua jovem.

Após estes 4 animais que marcaram as minhas primeiras grandes conquistas, vieram outros, todos excelentes: o Cabuçu (hoje com o célebre criador João Carlos Hartz, em Sapiranga - RS), o Fúria, o Almirante, o País (Campeão Potro em SP - 1990, junto com a Baviera – Grande Campeã da Raça), a Supimpa (7 vezes Campeã Nacional), a Jangada, a Sevilha, a Tiraprosa (Campeão da Raça e de Marcha em Esteio - RS), o Ariano (Campeão dos Campeões Nacionais de Marcha), a Vitória (Reservada Campeã da Raça BH em 2009), a Espora, a Faia, a Fá, etc., etc...

Gostaria de enfatizar que o inicio da minha criação foi com a Linhagem Angahy, que mais tarde cruzada com a Linhagem J.B.: Duque J.B., Pega Lobo da Selva Morena, Carvão L.J.; e atualmente diversifiquei bastante o sangue dos meus animais com duas linhagens tradicionais de bom andamento e bons de sela: “Favacho”: Favachinha, Prenda, Reserva, Quediva, Rubia, e a “Lobos”: Lavínia, Faradiba, Trincheira, Carapuça, Pirraça, Comarca. Assim permaneço até os dias de hoje, incluindo os garanhões: Caçador, Aviador, Scarto e o Argento.

O marcante Caçador, com quem fiz parceria com o criador Antonio Santos Silva, tem se revelado um excelente reprodutor, bem como o fantástico Scarto, cuja mãe é filha do Gesso do Capitão, descendente do Gesso Velho (Armistício x Onda). Com estes dois garanhões e mais o Aviador (ainda novo), pretendo dar continuidade à minha criação por muitos anos.

O Caçador já produziu aqui na minha seleção “SELVA MORENA“ animais de primeira linha, tais como: Pátria (a mais velha), a Dinamarca e Eva, Assucena, Barrosa e Mecejana, Aliança, Fênix, Fuzarca, a Roma, Florença, Saudade, o Ipiranga, o Pescador e o Arpoador, todos os animais bem caracterizados, fortes e marchadores natos... “de tirar o pica-pau do ôco”!

O Scarto já produziu comigo: a Candelária, Batalha, a Rafaela, Lua e Penélope (com Camilla, minha sobrinha), e no meu parceiro Richard di Santis, do Haras Bela Vida- São Carlos, diversos produtos de primeira ordem.

Apresento neste momento a Estatística Oficial da ABCCMM sobre as premiações dos animais “SELVA MORENA”, no decorrer destes 33 Anos de Seleção criteriosa e Criação apaixonada, lembrando que foi em 14 de Julho de 1977 que se deu o início oficial deste nosso criatório:

Premiações: 1.147

Campeonatos: 641

Campeonatos Estaduais: 76

Campeonatos Nacionais: 44

Animais que participaram destas premiações: 148

Nesta derradeira Exposição Nacional, realizada em BH - 2010, 5 animais campeões em suas categorias eram filhos diretos de pais “Selva Morena”, senão vejamos: Sevilha da Morada Nova, Fábula das Minas Gerais, Amaral Volante, Pavio do Porto Palmeira e Fonte Azul Hindu, cujos pais são: Vaidosa, Fabula, Acalá, Cabuçu e Presente, todos da “Selva Morena”.

Se tivesse que dar algum conselho para novos criadores, eu diria a eles:

- “sedes observadores, visitem diversos criatórios, levem em consideração não só os resultados das exposições e os animais mais premiados, mas sim tentem buscar sempre o equilíbrio nas características morfológicas e na qualidade do andamento”.



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