Faculdade de letras universidade do porto



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Encontro08.02.2022
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“Quelle femme”, murmura.

A minha mãe, agachada sobre o fogão, cronómetro em punho, não lhe presta atenção.

“Receava que lhe estragásseis o soufflé”, explico, tomado pelo embaraço.

“Que dedicação!”

O homem parece assombrado. Olha a minha mãe fixamente como se nunca se fartasse de a fitar. Saltando da bancada de mármore com a agilidade que um homem do seu tamanho lhe permite, desliza pela cozinha e cai de joelhos aos pés dela.

“Peço-lhe, imploro-lhe -”

Mas a minha mãe só tem olhos para o forno.

“Ora cá está ele!” Abrindo a porta decididamente, ela apresenta a verdadeira joia dos soufflés, que estende as suas asas de arcanjo sobre toda a cozinha, ao agitar-se no prato, ao qual apenas a força da gravidade o confina. Todos os presentes (uns quarenta e sete em número - a brigada da cozinha acrescentada de mim mesmo, mais o duque) aplaudem e aclamam.

A governanta fica louca como o diabo quando a minha mãe parte na barouche fechada para a muito real e francesa cozinha do duque, mas conforta-se com a noção de que agora pode persuadir o Senhor e a Madame a procurarem-lhe um chefe fino tipo um Soyer ou um Carême, que enrolem os bigodes em sua direção e a gateau Saint-Honoréiem pelo seu aniversário e a mimoseiem com não pouco frequentes babas au rhum. Mas - sou o filho único da cozinha de minha mãe e tomo agora posse da minha herança; além do mais, como pode a governanta queixar-se? Não sou eu o mais novo chef francês (nascido no Yorkshire) de toda esta terra?

Não sou eu o enteado do duque?



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