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O Pós-Modernismo, A Masculinidade e a Opressão de Mulheres



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O Pós-Modernismo, A Masculinidade e a Opressão de Mulheres

Para Andrzej Gąsiorek (Peach 160), Carter recusa fazer uma escolha entre a fantasia e o racionalismo. Nas suas palavras, “Carter employs a fabulist mode, disrupting targets from within or ridiculing them, but at the same time exposes the limitations of fantasy.”

Uma das personagens de Carter, Eve, em “The Passion of the New Eve” afirma, a certa altura: “we start from our conclusions.” Isto, na opinião de Linden Peach, resume a aproximação à escrita de Carter como um todo. Carter refere-se à necessidade de sujeitarmos ao escrutínio as nossas conclusões e as da nossa sociedade – crenças, assunções e preconceções. Na sua obra ela faz isto de uma maneira aberta, muitas vezes atrevida e às vezes teatral.

Carter reconhece que muitos dos princípios tradicionais associados com o realismo e que têm regido a nossa perceção da realidade têm sido postos em causa. Há um forte reconhecimento, que atravessa toda a sua obra, que identidade, género, história e sexualidade não são assim tão essencialistas, fixos e estáveis como somos levados a pensar desde o Iluminismo. Fronteiras e limites são percecionados como espaços significativos, nos quais identidades, sexualidades, histórias, poder socioeconómico e estatuto cultural são contestados, negociados ou reafirmados.

Uma das mais importantes conclusões desafiadas ao longo da obra de Carter é o sistema de diferenças sobre o qual as identidades se baseiam – particularmente como o “homem” tem sido visto como a norma, “mulher” como subordinada e todos os homens percecionados como tendo a mesma relação com esta norma. Há uma diferença entre sexo biológico e o género culturalmente construído. Há críticos que acusam, por assim dizer, Angela Carter de representar a masculinidade como a norma comportamental. Lizzie Borden e Sal têm características masculinas.

Há uma expressão de Angela Carter que resume a sua atitude face às formas de literatura mais convencionais: “I am all for putting new wine in old bottles, especially if the pressure of the new wine makes the old bottles explode.” (Munford 62).

A pretensão dos anos 70 a um “our body our selves” colocou o controlo e a identidade no centro da agenda política do movimento feminista. A arte que se foca nas imagens e aspetos do corpo feminino foi uma tentativa dentro da esfera da cultura de criar um tipo diferente de visibilidade para as mulheres. No caso de “Os Assassínios de Fall River”, referindo-se ao corpo de Lizzie, por exemplo, Carter usa palavras como “her belly in a vice”, “menstrual blood”. Apesar de isto parecer forçado aos leitores contemporâneos, Carter segue as preocupações feministas da sua época para desafiar e trabalhar contra as tradições que coisificaram a superfície cosmeticamente acabada do corpo feminino e negaram a matéria abjeta do seu interior.




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