Faculdade de letras universidade do porto



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O Poder no Feminino

Uma das questões com que me deparei na leitura, análise e tradução de “Nossa Senhora do Massacre”, “O Filho da Cozinha” e “Os Assassínios de Fall River” foi de que modo é que as mulheres nestas três histórias exercem o poder, se é que o exercem? Naomi Wolf, citada por Munford, Rebecca (2007), em “The Desecration of the Temple; or Sexuality as Terrorism?” 59, distingue dois tipos de feminismo: feminismo vítima (“victim feminism”) quando a mulher procura o poder através de uma identidade de impotência, enquanto o feminismo de poder (“power feminism”) é insofismavelmente sexual e examina de perto as forças reunidas contra a mulher, para que ela possa exercer o seu poder mais efetivamente. Wolf relaciona estas categorias de feminismo com duas tradições de feminismo. Uma tradição é severa, moralmente superior e autonegadora; a outra é livre-pensadora, amante do prazer e autoassertiva (enquadra-se nesta última a protagonista de “Nossa Senhora do Massacre”).

Para Naomi Wolf, a escrita de Carter posiciona-se desconfortavelmente em relação ao discurso gótico e ao discurso feminista, especialmente porque convergem para a categoria do Gótico Feminino. As heroínas góticas de Carter foram frequentemente censuradas como pouco mais do que objetos de desejos sadisticos masculinos, pelas críticas feministas. As obras mais recentes de Carter apresentam-nos heroínas, digo, protagonistas femininas que dominam, agridem ou exploram sexualmente outrem. Uma dominadora é, por exemplo, a protagonista de “Nossa Senhora do Massacre” e, à sua dimensão, por assim dizer, a cozinheira de “O Filho da Cozinha”. Uma agressora acaba por ser Lizzie Borden.



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