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A Comida como Ponto Aglutinador



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A Comida como Ponto Aglutinador


Um dos temas recorrentes da obra de Angela Carter é o ato de comer carne e, nestas três short stories até podemos dividir os “comedores de carne” em duas categorias, os “devoradores” e os “devorados”. Os devorados são sempre personagens femininas.

Para Abigail Dennis, a ficção de Carter exige interpretação e análise e os seus textos são alegorias que devem ser lidas em tantos níveis quanto nos seja possível (Dennis: 117).

A comida tem um papel central, tanto em “O Filho da Cozinha”, como em “Nossa Senhora do Massacre” – embora nesta história já não tanto, como em “Os Assassínios de Fall River”. Em duas das histórias, as pessoas gordas representam o grotesco – cómico, no caso de “O Filho da Cozinha”, trágico no caso de “Os Assassínios de Fall River”. Relativamente a “Nossa Senhora do Massacre”, vemos que é (também) pela comida que a protagonista se deixa apaixonar pela tribo índia.

Os apetites das várias personagens formam o nexo da respetiva caracterização. Assim, vemos a cozinheira pelo que cozinha, Abby pelo que come (“Abby foi feita para a comida pesada que a fez”), os índios da tribo e Sal, a protagonista (e, já agora, o senhor da casa onde ela está antes de fugir), também pelo que comem.

A comida e o comer (‘food and eating’) são centrais na noção Bakhtiana do corpo grotesco. Comer e beber são uma das suas mais significantes manifestações. O corpo transgride aqui os seus próprios limites. (Abigail 124)




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