Faculdade de letras universidade do porto



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Tabus (Desmitologizados)

Inicia-se nesta altura da história uma conversa entre mãe e filha que novamente “desmitologiza” o sexo e, de um modo mais geral, a posição da mulher nas duas sociedades aqui postas em confronto: vender o sexo era, na Inglaterra daquele século, uma coisa muito mal vista pela sociedade, ao passo que, na Virgínia não era preciso uma mulher vender o sexo, pois a liberdade sexual era uma coisa perfeitamente natural. “Quanto a prostituir-me, ficou muito surpreendida de ouvir dizer que os homens ingleses se davam ao trabalho de pagar pelo que eu tinha para vender, pois as índias quando o oferecem, fazem-no de graça e, quanto a ter perdido a minha virgindade, ri-se e diz: “se não fosses boa, ninguém te tinha querido.”

Outro “tabu” que é tocado nesta história é a homossexualidade da “mãe”, (“não tendo, diz-me ela com uma piscadela, muito amor pelo sexo deles e sim muita inclinação pelo seu próprio”) sem que no entanto a autora elabore muito acerca do modo como aquela sociedade índia trata convencionalmente este assunto.

Após um diálogo entre Sal e a mãe, em que são confrontadas duas formas de casamento, prevalecem a moral e os bons costumes cristãos da monogamia e a “mãe” de Sal, verificando que não pode disputar com Nogueira Alta o seu amor, acaba por ceder “e diz que está demasiado velha e teimosa para pensar em casamento e além disso, o meu rapaz está tão apaixonado por mim, que casará comigo nos meus próprios termos, à maneira inglesa.”

Na página 12 da tradução que apresento, encontramos uma nova descrição da figura materna. Agora Sal já não é a “Virgem Maria”, mas sim “Maria Madalena, a prostituta arrependida”.




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