Exercícios com Gabarito de Português Verbo, Substantivo e Adjetivo



Baixar 1.52 Mb.
Pdf preview
Página23/40
Encontro11.07.2022
Tamanho1.52 Mb.
#24214
1   ...   19   20   21   22   23   24   25   26   ...   40
Exerc cios com Gabarito de Portugu s Verbo, Substantivo e Adjeti
BOOK 345 - Enfermeiro
Lisbon Revisited 
(1923) 
Não: não quero nada. 
Já disse que não quero nada. 
Não me venham com conclusões! 
A única conclusão é morrer. 
Não me tragam estéticas! 
Não me falem em moral! 
Tirem-me daqui a metafísica! 
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem 
conquistas 
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) - 
Das ciências, das artes, da civilização moderna! 
Que mal fiz eu aos deuses todos? 
Se têm a verdade, guardem-na! 
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica. 
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo. 
Com todo o direito a sê-lo, ouviram? 
Não me macem, por amor de Deus! 
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável? 
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer 
coisa? 
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. 
Assim, como sou, tenham paciência! 
Vão para o diabo sem mim, 
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! 
Para que havemos de ir juntos? 
Não me peguem no braço! 
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho. 
Já disse que sou sozinho! 
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia! 
Ó céu azul - o mesmo da minha infância - 
Eterna verdade vazia e perfeita! 
Ó macio Tejo ancestral e mudo, 
Pequena verdade onde o céu se reflete! 
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje! 
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta. 
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo... 
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar 
sozinho! 
(Fernando Pessoa, Ficções do Interlúdio/4: poesias de 
Álvaro de Campos) 
Metamorfose Ambulante 
Prefiro ser essa metamorfose ambulante 
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante 
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo 
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo 
Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes 
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante 
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo 
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo 
Sobre o que é o amor 
Sobre que eu nem sei quem sou 


43 | 
Projeto Medicina – www.projetomedicina.com.br 
Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou 
Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor 
Lhe tenho amor 
Lhe tenho horror 
Lhe faço amor 
eu sou um ator… 
É chato chegar a um objetivo num instante 
Eu quero viver nessa metamorfose ambulante 
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo 
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo 
Sobre o que é o amor 
Sobre que eu nem sei quem sou 
Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou 
Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor 
Lhe tenho amor 
Lhe tenho horror 
Lhe faço amor 
eu sou um ator… 
Eu vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes 
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante 
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo 
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo 
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo 
Do que ter aquela velha velha velha velha opinião formada 
sobre tudo… 
Do que ter aquela velha velha opinião formada sobre 
tudo… 
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo… 
(Raul Seixas, Os grandes sucessos de Raul Seixas) 
Atentando para o fato de que a função conativa da 
linguagem é orientada para o destinatário da mensagem, 
a) identifique o modo verbal que, insistentemente 
empregado pelo eu-poemático, torna muito intensa a 
orientação para o destinatário no poema de Fernando 
Pessoa; 
b) considerando que, no verso de número 12, Raul Seixas, 
adotando o uso popular, empregou os pronomes te e lhe 
para referir-se a uma mesma pessoa, apresente duas 
alternativas que teria o poeta para escrever esse verso 
segundo a norma culta. 
158) (Vunesp-2003) 
Texto para a questão a seguir. 
Procura da Poesia 
Não faças versos sobre acontecimentos, 
Não há criação nem morte perante a poesia. 
Diante dela, a vida é um sol estático, 
não aquece nem ilumina. 
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não 
contam. 
(...) 
Penetra surdamente no reino das palavras. 
Lá estão os poemas que esperam ser escritos. 
(...) 
Chega mais perto e contempla as palavras. 
Cada uma 
tem mil faces secretas sob a face neutra 
e te pergunta, sem interesse pela resposta 
pobre ou terrível, que lhe deres: 
Trouxeste a chave? 
(Carlos Drummond de Andrade) 
Nos fragmentos do poema, há vários verbos empregados 
na 2.a pessoa do modo imperativo, pressupondo o sujeito 
tu. 
a) Transcreva esses verbos. 
b) Ponha os verbos transcritos, na 3.a pessoa, pressupondo 
o sujeito você. 
159) (Vunesp-2005) 
O Cabeleira 
Eles atravessaram a vau o rio, e foram ter à graciosa 
habitação (de Felisberto), que no meio daquele deserto 
atestava a existência de uma civilização rudimentar no 
lugar onde havia caído, sem tentativa de proveito para a 
sociedade que o sucedera, o gentilismo guarani digno de 
melhor sorte. 
Do alto onde fora construída a habitação via-se o rio que 
corria na distância de umas dezenas de braças, e 
desaparecia por entre umas lajes brancas no rumo de 
leste; do lado do ocidente mostravam-se as lavouras de 
Felisberto desde as proximidades da casa até onde a vista 
alcançava. 
Felisberto aplicava-se quase exclusivamente à cultura da 
roça. No perímetro de vinte léguas em derredor era o 
lavrador que desmanchava mais mandioca, que competia 
no mercado do Recife com a farinha de Moribeca, já então 
afamada. Havia anos em que ele mandava para o Recife 
cerca de duzentos alqueires. 
Um negro, uma negra, duas negrotas e três molecotes 
filhos dos dois primeiros faziam prodígios de valor na 
cultura das terras. Amanheciam no cabo da enxada e só se 
recolhiam quando faltava uma braça para o Sol se 
esconder no horizonte. Estes escravos viviam porém felizes 
tanto quanto é possível viver feliz na escravidão. Não lhes 
faltava que comer e que vestir. Dormiam bem, e nos 
domingos trabalhavam nos seus roçados. Em algum dia 
grande faziam seu batuque, ao qual concorriam os negros 
das vizinhanças.
Resolução
Quando Felisberto se casou com a filha de Lourenço 
Ribeiro, mestre de açúcar do engenho Curcuranas, teve a 
feliz idéia de ir estabelecer-se naquele sítio que comprara 
com algumas economias que lhe legara um tio que vivera 
de arrematar dízimos de gado. Essas economias deram-lhe 
também para comprar duas moradinhas de casas e o negro 
André. Com a negra Maria, que a mulher lhe trouxera em 
dote, casou Felisberto o seu negro, na esperança de que 
em poucos anos a família escrava estaria aumentada, e por 
conseguinte aumentada também a fortuna do casal. Essa 
esperança foi brilhantemente confirmada. 


44 | 
Projeto Medicina – www.projetomedicina.com.br 
(...) 
Frutos do trabalho honesto e esforçado, o qual é sempre 
favorecido pela Providência, não tinham sido de todo 
destruídos pela grande seca os roçados do Felisberto. Ele 
já enumerava muitos prejuízos, mas olhando em torno de 
si via ainda muito com que contar na tremenda crise que 
reduzira o geral da população da província a extrema 
penúria. 

Baixar 1.52 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   19   20   21   22   23   24   25   26   ...   40




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal