Exercícios com Gabarito de Português Verbo, Substantivo e Adjetivo



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Exerc cios com Gabarito de Portugu s Verbo, Substantivo e Adjeti
BOOK 345 - Enfermeiro
 
Vocabulário: 
pocema: canto selvagem, clamor. 
No texto de Alencar, registra-se o discurso do índio. 
a) Na fala do chefe Camacã, vê-se que ele se projeta numa 
terceira pessoa, como se falasse de um outro. Reescreva o 
trecho destacado em negrito no texto, passando-o para a 
primeira pessoa. 
b) Atualmente, nota-se cada vez mais um emprego 
reduzido do pronome “cujo”. Que forma gramatical tem 
substituído esse pronome? Reescreva o trecho “a virgem 
dos olhos de fogo, em cujo seio te gerou seu primeiro 
sangue”, substituindo “cujo” por essa forma gramatical. 
136) (UFSCar-2004) 
As pessoas que admitem, por 
razões que consideram moralmente justificáveis, a 
eutanásia, o fato de acelerar ou mesmo de provocar a 
morte de um ente querido, para lhe abreviar os 
sofrimentos causados por uma doença incurável ou para 
terminar a existência miserável de uma criança 
monstruosa, ficam escandalizadas com o fato de que, do 
ponto de vista jurídico, a eutanásia seja assimilada, pura e 
simplesmente, a um homicídio. Supondo-se que, do ponto 
de vista moral, se admita a eutanásia, não se atribuindo 
um valor absoluto à vida humana, sejam quais forem as 
condições miseráveis em que ela se prolonga, devem-se 
pôr os textos legais em paralelismo com o juízo moral? 
Seria uma solução perigosíssima, pois, em direito, como a 
dúvida normalmente intervém em favor do acusado, corre-
se o risco de graves abusos, promulgando uma legislação 
indulgente nessa questão de vida ou de morte. Mas 
constatou- se que, quando o caso julgado reclama mais a 
piedade do que o castigo, o júri não hesita em recorrer a 
uma ficção, qualificando os fatos de uma forma contrária à 
realidade, declarando que o réu não cometeu homicídio, e 
isto para evitar a aplicação da lei. Parece-me que esse 
recurso à ficção, que possibilita em casos excepcionais 
evitar a aplicação da lei - procedimento inconcebível em 
moral -, vale mais do que o fato de prever expressamente, 
na lei, que a eutanásia constitui um caso de escusa ou de 
justificação. 
(Perelman, Ética e Direito.) 
Assinale a alternativa em que está empregado o mesmo 
modo verbal de se admita a eutanásia. 
a) que admitem 
b) para lhe abreviar 
c) sejam quais forem 
d) devem-se pôr os textos legais 
e) seria uma solução perigosíssima 
137) (UFSCar-2007) 
Monsenhor Caldas interrompeu a 
narração do desconhecido: 
— Dá licença? é só um instante. 
Levantou-se, foi ao interior da casa, chamou o preto velho 
que o servia, e disse-lhe em voz baixa: 
— João, vai ali à estação de urbanos, fala da minha parte 
ao comandante, e pede-lhe que venha cá com um ou dois 
homens, para livrar-me de um sujeito doido. Anda, vai 
depressa. 
E, voltando à sala: 
— Pronto, disse ele; podemos continuar. 
— Como ia dizendo a Vossa Reverendíssima, morri no dia 
vinte de março de 1860, às cinco horas e quarenta e três 
minutos da manhã. Tinha então sessenta e oito anos de 
idade. Minha alma voou pelo espaço, até perder a terra de 
vista, deixando muito abaixo a lua, as estrelas e o Sol; 
penetrou finalmente num espaço em que não havia mais 
nada, e era clareado tão-somente por uma luz difusa. 
Continuei a subir, e comecei a ver um pontinho mais 
luminoso ao longe, muito longe. O ponto cresceu, fez-se 
sol. Fui por ali dentro, sem arder, porque as almas são 
incombustíveis. 
A sua pegou fogo alguma vez? 
— Não, senhor. 
— São incombustíveis. Fui subindo, subindo; na distância 
de quarenta mil léguas, ouvi uma deliciosa música, e logo 
que cheguei a cinco mil léguas, desceu um enxame de 
almas, que me levaram num palanquim feito de éter e 
plumas. 
(Machado de Assis, A segunda vida. Obras Completas, vol. 
II, p. 440-441.) 
O imperativo utilizado por Monsenhor Caldas, ao dar as 
ordens ao preto velho, emprega 
a) uma forma indireta. 
b) a terceira pessoa do singular. 
c) a primeira pessoa do plural. 
d) a segunda pessoa do singular. 
e) a segunda pessoa do plural. 
138) (UFSCar-2007) 
Suave Mari Magno 
Lembra-me que, em certo dia, 
Na rua, ao sol de verão, 
Envenenado morria 
Um pobre cão. 
Arfava, espumava e ria, 
De um riso espúrio e bufão, 
Ventre e pernas sacudia 
Na convulsão. 
Nenhum, nenhum curioso 
Passava, sem se deter, 
Silencioso, 
Junto ao cão que ia morrer, 
Como se lhe desse gozo 
Ver padecer. 


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(Machado de Assis, Obra Completa, vol. III, p. 161.) 
Seqüência 
Eu era pequena. A cozinheira Lizarda 
tinha nos levado ao mercado, minha irmã, eu. 
Passava um homem com um abacate na mão 
e eu inconsciente: 
“Ome, me dá esse abacate...” 
O homem me entregou a fruta madura. 
Minha irmã, de pronto: “vou contar pra mãe que ocê 
pediu abacate na rua.” 
Eu voltava trocando as pernas bambas. 
Meus medos, crescidos, enormes... 
A denúncia confirmada, o auto, a comprovação do delito. 
O impulso materno...conseqüência obscura da 
escravidão passada, 
o ranço dos castigos corporais. 
Eu, aos gritos, esperneando. 
O abacate esmagado, pisado, me sujando toda. 
Durante muitos anos minha repugnância por esta fruta 
trazendo a recordação permanente do castigo cruel. 
Sentia, sem definir, a recreação dos que ficaram de fora, 
assistentes, acusadores. 
Nada mais aprazível no tempo, do que presenciar a 
criança indefesa 
espernear numa coça de chineladas. 
“é pra seu bem,” diziam, “doutra vez não pedi fruita na 
rua.” 
(Cora Coralina, Vintém de cobre, p. 131-132.) 
No poema de Cora Coralina, há uma frase sem verbo: 
Durante muitos anos minha repugnância por esta fruta. 
a) Qual o sentido dessa frase? 
b) “Reconstrua” essa frase, colocando um verbo. 
139) (UFTM-2007) 
(O recruta Zero
Ocorre quebra da uniformidade de tratamento no texto, 
própria de soluções da língua coloquial, 
a) na escolha do tratamento “você” para referir-se aos dois 
interlocutores. 
b) na combinação de “-los” (em “distraí-los”) com “cobrir 
você”. 
c) no emprego de “vai” associado ao pronome de 3.ª 
pessoa “você”. 
d) no emprego indistinto de verbos em 3.ª pessoa para os 
dois interlocutores. 
e) na intercalação de frases declarativas e exclamativas, 
aleatoriamente. 
140) (UFU-2006) 
Tenho desprezo por gente que se orgulha 
da própria raça. Nem tanto pelo orgulho, sentimento 
menos nobre, porém inerente à natureza humana, mas 
pela estupidez. Que mérito pessoal um pobre de espírito 
pode pleitear por haver nascido branco, negro ou amarelo, 
de olhos azuis ou lilases? 
Tradicionalmente, o conceito popular de raça está ligado a 
características externas do corpo humano, como cor da 
pele, formato dos olhos e as curvas que o cabelo faz ou 
deixa de fazer. Existe visão mais subjetiva? 
Na Alemanha nazista, bastava ter a pele morena para o 
cidadão ser considerado de uma raça inferior à dos que se 
proclamavam arianos. Nos Estados Unidos, são 
classificadas como negras pessoas que no Brasil 
consideramos brancas; lá, os mineiros de Governador 
Valadares são rotulados de hispânicos. Conheci um 
cientista português que se orgulhava de descender 
diretamente dos godos! 
Há cerca de 100 mil anos, seres humanos de anatomia 
semelhante à da mulher e à do homem moderno 
migraram da África, berço de nossa espécie, para os quatro 
cantos do mundo. Tais ondas migratórias criaram forte 
pressão seletiva sobre nossos ancestrais. Não é difícil 
imaginar as agruras de uma família habituada ao sol da 
savana etíope, obrigada a adaptar-se à escuridão do 
inverno russo; ou as dificuldades de adaptação de pessoas 
acostumadas a dietas vegetarianas ao migrar para regiões 
congeladas. 
Apesar de primatas aventureiros, éramos muito mais 
apegados à terra natal nessa época em que as viagens 
precisavam ser feitas a pé; a maioria de nossos 
antepassados passava a existência no raio de alguns 
quilômetros ao redor da aldeia natal. Como descendemos 
de um pequeno grupo de hominídeos africanos e o 
isolamento favorece o acúmulo de semelhanças genéticas, 
traços externos como a cor da pele, dos olhos e dos 
cabelos tornaram-se característicos de determinadas 
populações. 
Mas seria possível estabelecer critérios genéticos mais 
objetivos para definir o que chamamos de raça? Em outras 
palavras: além dessa meia dúzia de aspectos identificáveis 
externamente, o que diferenciaria um negro de um branco 
ou de um asiático? 
Para determinar o grau de parentesco entre dois 
indivíduos, os geneticistas modernos fazem comparações 
entre certos genes contidos no DNA de cada um. 
Lembrando que os genes nada mais são do que pequenos 
fragmentos da molécula de DNA, a tecnologia atual 
permite que semelhanças e disparidades porventura 
existentes entre dois genes sejam detectadas com 
precisão. 
Tecnicamente, essas diferenças recebem o nome de 
polimorfismos. É na análise desses polimorfismos que se 


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baseia o teste de DNA para exclusão de paternidade, por 
exemplo. 
Na Universidade de Stanford, Noah Rosemberg e Jonathan 
Pritchard testaram 375 polimorfismos genéticos em 52 
grupos de habitantes da Ásia, África, Europa e das 
Américas. Através da comparação, conseguiram dividilos 
em cinco grupos étnicos cujos ancestrais estiveram 
isolados por barreiras geográficas, como desertos 
extensos, montanhas intransponíveis ou oceanos: os 
africanos da região abaixo do deserto do Saara, os 
asiáticos do leste, os europeus e asiáticos que vivem a 
oeste dos Himalaias, os habitantes da Nova Guiné e 
Melanésia e os indígenas das Américas. 
No entanto, quando os autores tentaram atribuir 
identidade genética aos habitantes do sul da Índia, 
verificaram que seus traços eram comuns a europeus e a 
asiáticos, observação consistente com a influência exercida 
por esses povos naquela área do país. 
A conclusão é que só é possível identificar grupos de 
indivíduos com semelhanças genéticas ligadas a suas 
origens geográficas quando descendem de populações 
isoladas por barreiras que impediram a miscigenação. 
Mas o conceito popular de raça está distante da 
complexidade das análises de polimorfismos genéticos: 
para o povo, raça é questão de cor da pele, tipo de cabelo 
e traços fisionômicos. 
Nada mais primário! 
Essas características sofreram forte influência do processo 
de seleção natural que, no decorrer da evolução de nossa 
espécie, eliminou os menos aptos. Pessoas com mesma cor 
de pele podem apresentar profundas divergências 
genéticas, como é o caso de um negro brasileiro 
comparado com um aborígene australiano ou com um 
árabe de pele escura. 
Ao contrário, indivíduos semelhantes geneticamente, 
quando submetidos a forças seletivas distintas, podem 
adquirir aparências diversas. Nos transplantes de órgãos, 
ninguém é louco de escolher um doador apenas por ser 
fisicamente parecido ou por ter cabelo crespo como o do 
receptor. 
Excluídos os gêmeos univitelinos, entre os 6 bilhões de 
seres humanos não existem dois indivíduos geneticamente 
idênticos. Dos 30 mil genes que formam nosso genoma, os 
responsáveis pela cor da pele e pelo formato do rosto não 
passam de algumas dezenas. 
Como as combinações de genes maternos e paternos 
admitem infinitas alternativas, teoricamente pode haver 
mais identidade genética entre dois estranhos do que 
entre primos consangüíneos; entre um negro brasileiro e 
um branco argentino, do que entre dois negros sul-
africanos ou dois brancos noruegueses. 
Dráuzio Varela. Folha de S. Paulo, 1º de abril de 2006. 
No primeiro período do 5º parágrafo, o pretérito 
imperfeito do indicativo é usado para indicar que os fatos 
a) eram permanentes. 
b) aconteciam habitualmente. 
c) ocorreram antes dos outros fatos relatados. 
d) foram concluídos no passado. 
141) (UFV-1996) 
Certos verbos recebem um "i" eufônico 
depois da última vogal do tema toda vez que sobre ela 
incide a tônica. Eis dois exemplos nas palavras em 
maiúsculo: 
a) "Namorado não PRECISA ser o mais bonito..." - "... sua 
frio e quase DESMAIA." 
b) "... quem se deixa ACARICIAR sem vontade..." - "... ânsia 
enorme de VIAJAR..." 
c) "... quem não gosta de DORMIR agarrado..." - "... nem de 
FICAR horas e horas olhando..." 
d) "... quem não se CHATEIA com o fato..." - "... PASSEIE de 
mãos dadas..." 
e) "... SAIA do quintal de si mesma..." - "... SORRIA lírios 
para quem passe debaixo de sua janela." 
142) (UFV-2005) 
O tabaco consome dinheiro público. 
Bilhões de reais saem do bolso do contribuinte para tratar 
a dependência do tabaco e as graves doenças que ela 
causa. A dependência do tabaco também aumenta as 
desigualdades sociais porque muitos trabalhadores 
fumantes, além de perderem a saúde, gastam com cigarros 
o que poderia ser usado em alimentação e educação. Em 
muitos casos, com o dinheiro de um maço de cigarros 
pode-se comprar, por exemplo, um litro de leite e sete 
pães. Para romper com esse perverso círculo de pobreza, 
países no mundo inteiro estão se unindo através da 
Convenção-Quadro de Controle do Tabaco para conter a 
expansão do tabagismo e os graves danos que causa, 
sobretudo nos países em desenvolvimento. Incluir o Brasil 
nesse grupo interessa a todos os brasileiros. É um passo 
importante para criar uma sociedade mais justa. 
(Propaganda do Ministério da Saúde. Brasil um país de 
todos. Governo Federal, 2004.) 
“A dependência do tabaco também aumenta as 
desigualdades sociais porque muitos trabalhadores 
fumantes, além de perderem a saúde, gastam com cigarros 
o que poderia ser usado em alimentação e educação.” 
Os tempos verbais assumem vários valores semânticos. Na 
passagem acima, a forma verbal “poderia” exprime: 
a) ação costumeira e habitual. 
b) ação relativa ao passado. 
c) ação de suposição. 
d) ação definitiva. 
e) ação de ordem ou pedido. 
143) (UFV-2005) 
Cair no vestibular é muito mais do que um 
escritor menos-que-perfeito pode aspirar na vida. 
Escritores menos-que-perfeitos, caso você não saiba, são 
aqueles que se negam a usar a forma sintética do mais-
que-perfeito. Um escritor menos-que-perfeito jamais 
“fizera”, nunca “ouvira” e em hipótese nenhuma “falara”. 


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E no Brasil, se você é um sujeito que “escrevera”, você é 
respeitado; mas, se você apenas “tinha escrito”, então 
você não é nada, e só cai no vestibular por engano. 
(FREIRE, Ricardo. Xongas. Época. São Paulo, 28 jun 2004.) 
a) No texto, o autor distingue escritores menos-que-
perfeitos de escritores mais-que-perfeitos. Por que o autor 
se define como um escritor menos-que-perfeito? Que 
justificativa o autor teria para optar por uma forma verbal 
coloquialmente mais simples? 
b) “Cair no vestibular é muito mais do que um escritor 
menos-que-perfeito pode aspirar na vida.” 
Explique o emprego do termo aspirar no fragmento acima. 
144) (UFV-2005) 
Levando em consideração seus 
conhecimentos lingüísticos, preencha CORRETAMENTE as 
lacunas abaixo, utilizando a forma adequada dos verbos 
entre parênteses. Faça as alterações necessárias: 
a) Só com muita paixão é possível fazer o que mil exércitos 
não ________ (conseguir): conquistar Atenas. A Brasil 
Telecom parabeniza e agradece a seus atletas patrocinados 
por terem chegado a Atenas e ________ (poder) 
proporcionar o sonho de vitória a todos os brasileiros. 
b) O filme O Dia depois de Amanhã retrata não só uma 
ficção, mas uma realidade do que será nosso planeta caso 
não ________ (haver) uma preocupação maior por parte 
dos governantes de se _________ (propor) a fazer uma 
política de preservação ambiental, e não apenas ________ 
(ter) ambições econômicas. 
145) (Uneb-1997) 
Antes que elas cresçam 
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos 
próprios filhos. É que as crianças crescem. Independentes 
de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados, 
elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação 
independente do governo e da vontade popular. Entre os 
estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto 
das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, 
às vezes, com alardeada arrogância. 
Mas não crescem todos os dias, de igual maneira: crescem, 
de repente. Um dia se assentam perto de você no terraço 
e dizem uma frase de tal maturidade, que você sente que 
não pode mais trocar as fraldas daquela criatura. 
Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e 
desobediência civil. E você agora está ali, na porta da 
discoteca esperando que ela não apenas cresça, mas 
apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que 
saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as 
ancas. Essas são as nossas filhas, em pleono cio, lindas 
potrancas. 
(...) Essas são as filhas que conseguimos gerar apesar dos 
golpes dos ventos, das colheitas das notícias e das 
ditaduras das horas. E elas crescem, meio amestradas, 
vendo como redigimos nossas teses e nos doutorados nos 
nossos erros. 
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos 
próprios filhos. 
(...) Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. 
Saíram do banco de trás e passaram para o volante das 
próprias vidas. (...) 
Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer, 
para ouvir sua alma respirando conversas e confidências 
entre os lençóis da infância e os adolescentes cobertos 
naquele quarto cheio de colagens, posters e agendas 
coloridas de pilot. (...) 
No princípio, subiam a serra ou iam à casa de praia entre 
embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, 
piscinas e amiguinhas. (...) Depois chegou à idade em que 
subir para a casa de campo com os pais começou a ser um 
esforço, um sofrimento, pois era impossível largar a turma 
aqui na praia e os primeiros namorados. (...) Agora é hora 
de os pais nas montanhas terem a solidão que queriam, 
mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas 
pestes. 
O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O 
neto é a hora do caminho ocioso e estocado, não exercido 
nos próprios filhos, e que não pode morrer conosco. Por 
isto os avós são tão desmesurados e distribuem tão 
incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade 
de reeditar o nosso afeto. 
Por isto é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que 
elas cresçam. 
SANT'ANA, Affonso Romano de. Antes que elas cresçam. 
Diálogo Médico. S. Paulo, Ano 20, n. 5, p. 52, nov./dez. 
1994. 
"E elas crescem, meio amestradas, vendo como redigimos 
nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros."
O trecho em destaque contém: 
1) uma forma verbal flexionada no modo subjuntivo. 
2) duas formas nominais de gerúndio. 
3) três formas verbais flexionadas no plural. 
4) quatro formas verbais no presente do indicativo. 
5) todas as formas verbais de 1ª conjugação. 
146) (Unicamp-2004) 
Em 28/11/2003, quando muito se 
noticiava sobre a reforma ministerial, a Folha de S. Paulo 
publicou uma matéria intitulada “Lula sugere que Walfrido 
e Agnelo ficam.”. Considerando as relações entre as 
palavras que compõem o título da matéria, justifique o uso 
do verbo “ficar” no presente do indicativo. 
147) (UNICAMP-2006) 
Leia a seguinte passagem de Os Cus 
de Judas, de António Lobo Antunes: 
Deito um centímetro mentolado de guerra na escova de 
dentes matinal, e cuspo no lavatório a espuma verde-
escura dos eucaliptos de Ninda, a minha barba é a floresta 
do Chalala a resistir ao napalm da gillete, um grande rumor 
de trópicos ensangüentados cresce-me nas vísceras, que 
protestam. 


37 | 
Projeto Medicina – www.projetomedicina.com.br 
(Antonio Lobo Antunes, Os cus de Judas. Rio de Janeiro: 
Objetiva, 2003, p. 213.) 
a) A que guerra se refere o narrador? 
b) Por que o narrador utiliza o presente do indicativo ao 
falar sobre a guerra? 
c) Que recurso estilístico ele utiliza para aproximar a 
guerra de seu cotidiano? Cite dois exemplos. 
148) (Unifesp-2003) 
A questão a seguir baseia-se em duas 
tirinhas de quadrinhos, de Maurício de Sousa (1935-), e na 
“Canção do exílio”, de Gonçalves Dias (1823-1864). 

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