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Exemplo de Editorial:

Editorial

Favelados em lugar de proletários


De como uma esquerda forte pode contribuir decisivamente para o progresso de uma nação e o aprimoramento da democracia

por Mino Carta — publicado 06/06/2014 04:31, última modificação 08/06/2014 09:03

Na entrevista publicada em CartaCapital na edição passada, Lula pronunciou uma frase-chave: “Eu sempre sonhei em ser classe média”. Assim há de ser. Recordei que, aos 22 anos, deixei São Paulo para trabalhar na Itália, na redação do jornalLa Gazzetta del Popolo, de Turim. Declarava-se “matutino independente”, ou seja, sem ligações com partidos, mas a maioria dos meus colegas era de esquerda e votava no Partido Comunista. Eu também votei.

Alguns entre eles poderiam ser definidos como muito ortodoxos, apostavam na ditadura do proletariado. Logo me pareceu, de resto em coincidência com outros colegas, que o proletário quer ser burguês, e que nesta aspiração legítima reside a sua força. É o que o empurra a reivindicar, se for o caso a ameaçar o patrão com a fatídica arma da greve. O proletariado italiano e sua capacidade de pressão foram decisivos para transformar em potência mundial um país saído em escombros da ditadura fascista e da guerra.

À época comunistas e socialistas eram aliados, inclusive na maior central sindical, a CGIL, e sem a sua ação não haveria distribuição de renda e reforma agrária, fatores determinantes daquele que foi chamado de milagre italiano. A frase de Lula, um ex-proletário desejoso de se tornar classe média, e largamente habilitado a realizar seu intento, teve o poder e a graça de evocar meus anos verdolengos, bem como em definir um caminho que o Brasil ainda não percorreu. Na Itália hoje em grave crise, aquela esquerda faz muita falta.

Vale acentuar que o esquerdismo italiano inspirou-se nas lições de Antonio Gramsci, admirável pensador voltado a contestar a ortodoxia dogmática e a desenhar outro rumo, socialista e democrático, aquele trilhado no pós-Guerra, e aprimorado pelo PCI de Enrico Berlinguer. Aqueles colegas que em Turim viam no partido a sua igreja se parecem com Toni Negri, recém-chegado ao Brasil para deitar falação sobre a Copa e criticar uma “política de grandes eventos”, inaugurada por Lula e continuada por Dilma, em detrimento da “cultura da favela”. Melhor, segundo Negri, em menoscabo da própria.




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