Etnografia e seus sujeitos


Uma nova concepção da etnografia e seus sujeitos



Baixar 240.01 Kb.
Pdf preview
Página8/9
Encontro18.11.2022
Tamanho240.01 Kb.
#26036
1   2   3   4   5   6   7   8   9
adm, R.I.C.-2004-7
Uma nova concepção da etnografia e seus sujeitos 
 
Como vimos, e de um modo geral, as alternativas proposta pelo movimento 
pós-moderno são basicamente textuais, referindo-se como encontrar uma nova maneira de 
escrever sobre culturas, uma maneira que incorpore no texto um pensamento e uma 
consciência
 sobre a tradição da antropologia. 
 
A crítica feita pelos antropólogos pós-modernos, mostra que o rompimento com 
o modelo anterior é parcial, pois questiona-se o processo da interpretação, mas não rompe com 
a separação radical entre observador e observado e suas culturas no trabalho de campo.
 
Isto significa que o objeto de estudo não é mais a cultura do outro, mas a 
etnografia, o gênero literário como texto e, enfatiza, as novas alternativas de escrita 
etnográfica. Clifford Geertz (1973) acredita que é possível conhecer e interpretar outras 
culturas, produzindo traduções de outros modos de vida para a nossa própria linguagem. O 
autor acredita também que estas condições se transformaram em conseqüência da influência 
da escrita pós-moderna. Ao contrário da separação entre a autoridade da ciência como 
conhecimento ocidental e a autoria do texto etnográfico, o que ele sugere é a necessidade do 
pesquisador assumir maior responsabilidade pôr seu texto e pelas interpretações que produz.
A interpretação realizada pelos pós-modernos, está baseada sobre uma outra 
cultura entendida como diferente e estranha a do antropólogo, mas com possibilidades de 
compreensão e tradução mútua através da conversação respeitosa e não etnocêntrica, do 
diálogo que se caracteriza como uma atividade, não somente científica, mas de 
confraternização e solidariedade humana. Para os antropólogos pós-modernos, em particular 
os autores do Writing Culture, a etnografia deve ser mais que uma interpretação sobre o outro. 
Deve ser uma negociação com diálogos, uma expressão das trocas entre uma multiplicidade de 
vozes, onde fique evidente o outro no texto etnográfico e seu relacionamento com o 
antropólogo, além da própria voz deste último.
O importante nisto tudo é perceber que existe uma reflexão profunda no pensar 
e fazer antropológico, necessária no mundo contemporâneo, para uma reflexão da própria 
ciência como conhecimento absoluto da realidade. Um mundo globalizado que muitas vezes 
demostra uma tendência a homogeinização, mas que ao mesmo tempo, nunca foi tão 
abundante quando se trata do surgimento de nacionalidades localizadas. 


Revista de Iniciação Científica da FFC, v.4, n.1, 2004.
49 

Baixar 240.01 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal