Etnografia e seus sujeitos


Participam James Clifford, George Marcus, Dick Cushman, Marilyn Strathern, Robert



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adm, R.I.C.-2004-7

Participam James Clifford, George Marcus, Dick Cushman, Marilyn Strathern, Robert 
Thornton, Michael Fischer entre outros e, mais recentemente, também Clifford Geertz. Esta 
corrente tem como objeto de estudo a etnografia, como texto e gênero literário, e enfatiza as 
novas alternativas de escrita etnográfica. 


Revista de Iniciação Científica da FFC, v.4, n.1, 2004.
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A segunda corrente, a etnografia experimental
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, c
aracteriza-se pela redefinição 
das maneiras de se fazer a observação participante no trabalho de campo, na relação com os 
outros. Seus representantes são Vincent Crapanzano, Kevin Dwyer, Paul Rabinow e Dennis 
Tedlock.
A terceira corrente, tida como a vanguarda pós-moderna, a versão mais extrema 
da antropologia pós-moderna americana, é mais dissolvente, segundo Reynoso (1991) e está 
voltada para as questões referentes à crise da ciência em geral, sendo representada por Stephen 
Tyler e Michael Fischer. Segundo seus autores tudo é possível no texto e no trabalho de 
campo, desde que exista uma ruptura de fato com o pensar e fazer antropológicos de até então. 
Ou seja, decreta o fim da antropologia como historicamente foi construída em nossa tradição. 
Os vários autores presentes no volume Writing Culture, publicação considerada 
como o marco da pós-modernidade na antropologia norte-americana, primeiramente fazem 
críticas ao positivismo científico, ao reducionismo e, também ao empirismo. Propõem em seu 
lugar uma defesa de uma postura humanista para o fazer antropológico, enfatizando o caráter 
provisório e parcial de toda análise cultural.
Segundo a leitura de Wilson Trajano Filho (1988), o livro, Writing Culture, é 
dividido em quatro grupos de autores, sendo que os três primeiros artigos realizam a denúncia 
das convenções realistas presentes em Malinowski, a fundamentação teórica de novos 
referenciais e a exemplificação de como estas novas convenções podem e estão sendo postas 
em práticas. Primeiro, Mary Louise Pratt, Vincent Crapanzano e Renato Rosaldo que propõem 
uma discussão que gira em torno da desmistificação da etnografia clássica como um tipo de 
conhecimento que reflete a realidade como espelho. Os ensaio de Pratt (1991) Trabajo de 
campo en lugares comunes
e Crapanzano (1991) El dilema de Hermes: la máscara de la 
subversión en las descripciones
, discutem basicamente o tema da autoridade etnográfica,
propondo ao trabalho científico uma experiência pessoal à margem da própria teoria, 
enriquecedora do texto cientifico e que contribui com a compreensão do mundo e dos fatos 
que se descrevem. Rosaldo propõem uma discussão nova, segundo Trajano Filho, ao propor: 
[...] pela via dos artifícios retóricos, o texto construído da etnografia, que se 
pretende convincente, verdadeiro e objetivo, ora esconde ora passa ao largo 
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Também chamada dialógica, polifônica ou heteroglosia. Consultar Tedlock: 1986. 


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de questões tais como a articulação da subjetividade do autor com as das 
pessoas pesquisadas, o contexto sociológico onde se dá o encontro 
etnográfico e as limitações que se contexto impõem ao saber antropológico. 
(TRAJANO FILHO, 1986, p. 140). 
A discussão deste primeiro grupo de autores, remete-nos as questões da 
parcialidade e da provisoriedade da interpretação cultural que nos levam a discutir as 
estratégias empregadas pelos etnográfos para convencer os leitores da precisão da verdade 
impressa em seus textos, ou seja, a problemática da autoridade científica da antropologia.
O segundo grupo envolve James Clifford e Stephen Tyler que restringem-se à 
discutir os limites e as possibilidades do conhecimento antropológico contemporâneo, 
enquanto verdade absoluta do sujeito cognoscente sobre seus sujeitos de pesquisa. Tyler e 
Clifford em (1991) Etnografia postmoderna: desde el documento de lo oculto al oculto 

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