Etnografia e seus sujeitos



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adm, R.I.C.-2004-7
entre os aborígenes australianos
, em 1912. É escrito a partir dos dados coletados por Spencer e Gillen na 
Austrália. Estes mesmos dados serviram para a produção de duas importantes publicações no mesmo ano de 
1912. São elas: As formas elementares da vida religiosa de Durkheim e Totem e tatu de Freud. 


Revista de Iniciação Científica da FFC, v.4, n.1, 2004.
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A reflexão sobre estes procedimentos e a sua incorporação nos textos não surgiu 
obviamente com os pós-modernos, mas está presente em alguns clássicos da disciplina como, 
por exemplo, Marcell Mauss (1974 [1923]) e Evans-Pritchard (1985 [1950]), além dos 
antropólogos hermenêutas, representados basicamente pelo pensamento interpretativo de 
Clifford Geertz, em seu trabalho, A interpretação das culturas (1989 [1973]). Segundo este 
autor, as culturas devem ser concebidas como textos, e a análise antropológica como 
interpretação sempre provisória, o que seguramente contribuiu para o estranhamento da 
autoridade etnográfica da modernidade e o seu conseqüente rompimento com a tradição do 
pensamento funcionalista em antropologia. 
Vale lembrar que, antes do desenvolvimento da pós-modernidade, nem sequer os 
cientistas sociais norte-americanos inclinados para as questões fenomenológicas, de um modo 
geral, liam aqueles que não pertencessem ao mesmo círculo de idéias filosóficas
15
que os 
cercavam. A ampliação dos seus horizontes foi dado principalmente pelas leituras de filósofos 
franceses como Foucault, Derrida, Lyotard, e Baudrillard e mais recentemente Paul Ricoeur 
no que se refere a antropologia. 
É importante, portanto, reconhecer as influências européias nos antropólogos 
americanos, principalmente de pensadores franceses. O movimento pós-estruturalista francês, 
reconhecido como a vanguarda do pensamento pós-moderno, faz surgir uma nova classe de 
intelectuais institucionalizados
que, além de criticar a filosofia estruturalista francesa, nasce 
com o desejo de decretar a crise da razão e da ciência européia, sendo Foucaul, um dos grande 
representantes desta linha. Difundiu-se, entre seus contemporâneos, um forte ceticismo em 
relação a certas categorias analíticas das ciências sociais e da ciência em geral, resultando na 
relatividade do conhecimento ocidental. 
A postura de Jacques Derrida antecipa características de posições extremistas 
da antropologia pós-moderna, pois a desconstrução
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da ciência, finda na proposta de acabar 
com a própria antropologia enquanto tradição do pensamento ocidental sobre o outro. 
A maioria dos trabalhos antropológicos, dos últimos anos, realizados nos Estados 
Unidos são considerados, por seus autores, como de deconstrução, sendo o que se desconstrói 
15
Com exceção de Lévi-Strauss, que viveu um considerado nos Estados Unidos lecionando nas universidades 
norte americanas. 
16
Consultar Reynoso, 1991 


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é, em geral, o marco global da cultural ocidental, ou seja, a ciência social convencional, e em 
nosso caso específico, a disciplina anterior ao advento da pós-modernidade. Portanto, grande 
parte da antropologia contemporânea norte-americana, fundamenta-se em uma desconstrução 
das obras de autores clássicos, criticando a escrita etnográfica e a relação do pesquisador com 
os seus pesquisados.
Alguns autores negam a desconstrução enquanto método analítico, por ser este um 
aspecto negativo, negando a própria ciência e, portanto, a razão humana. Não considerando, a 
desconstrução como método, desautorizam-se a interpretação habitual da desconstrução como 
construção gratuita e cética que nega o próprio pensamento ocidental. 
 
A desconstrução é uma atividade critica mais alongada, muito mais 
radical que a mera exposição dos erros que podem alcançar o raciocino 
de um determinado autor. Em uma desconstrução se ataca e se destrói 
não mais as afirmações parciais, as hipóteses especificas ou os erros de 
inferência, mas sim as premissas., os pressupostos ocultos, as 
epistemes desde as quais se fala.' (REYNOSO, 1991, p. 19).
Cabe-nos examinar agora o campo da antropologia pós-moderna, isto é, as 
versões que os antropólogos norte-americanos elaboraram a propósito do pós-modernismo ou 
pós-esrtuturalismo europeu. A visão que demos do que poderia chamar-se pós-modernismo 
em geral, é justamente para dar uma idéia de sua diversidade também na antropologia que não 
se apresenta como um movimento único e coeso.
Sinteticamente estaremos expondo as principais correntes da antropologia pós-
moderna, muito embora, este tipo de divisão não comporte todos os autores possíveis e, 
também, não podemos considerá-la de forma rígida e rigorosa.. 
Portanto, para Reynoso (1991), a primeira corrente e também a principal, 
segundo os próprios antropólogos, é denominada de meta-etnografia ou meta-antropologia. 
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