Etnografia e seus sujeitos


A crítica americana pós-moderna



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adm, R.I.C.-2004-7
 
A crítica americana pós-moderna 
 
A modernidade na antropologia caracteriza-se pela separação entre observador e 
observado no texto, com o presente etnográfico proposto por Malinowski. A relfexão teórica 
feita pelo autor justifica-se pela
crítica ao método evolucionista do período anterior, que a 
paritr da coleta de materiais independente de seus contextos, fazia-se elaborações imaginativas 
sobre a história da humanidade como um todo, isto é, o que ficou conhecido como história 
congectural. Segundo Evans-Pritchard: "Embora o professor Radcliffe-Bronw possuísse 
sempre um conhecimento mais amplo da antropologia social geral e demonstrasse ser um 
pensador mais capaz que Malinowski, este foi o investigador experimental mais 
acabado".(EVANS-PRITICHARD, 1972, p. 76). 
Assim, a partir de Malinowski, houve a necessidade de criar nos textos 
antropológicos uma consciência sobre às diferenças humanas no mundo. A rica colaboração 
dada pelo autor dos Argonautas foi a sua concepção diferente do fazer/pensar antropológico 
em relação a prática da disciplina até então, sendo que a principal conseqüência desta nova 
experiência decorreu justamente do relativismo cultural, marca da antropologia até os dias de 
hoje, já que cada cultura deve ser vista como uma singularidade em si mesma e não 
hierarquicamente como no evolucionismo. 
O grande diferencial entre o trabalho realizado por Malinowski e seus antecessores 
foi a criação de um novo modelo de coleta de dados, sendo o primeiro antropólogo 
profissional a realizar um trabalho de campo intensivo, como o aprendizado obrigatório da 
língua nativa e, portanto, com o recolhimento de materiais diretamente dos nativos sem 
13
Consultar Daniel Bell, com a publicação do Avento da Sociedade pós-industrial, publicado em 1976. 


Revista de Iniciação Científica da FFC, v.4, n.1, 2004.
41 
qualquer mediação. Sendo também o primeiro a ter uma permanência prolongada no campo
14
com um intervalo para repensar e organizar os dados coletados. 
Nota-se a realização de um fazer antropológico qualitativamente diferente dos 
praticados pelos antropólogos anteriores como, a tentativa de colocar-se no lugar do outro e, 
assim, conhecer a realidade na qual o outro se insere. Na relação sujeito e objeto, o sujeito 
cognoscente possui uma atitude de neutralidade e imparcialidade perante a realidade em foco
garantia da objetividade do conhecimento, segundo o referencial teórico do funcionalismo.

verdade da ciência, para o funcionalismo, deve estar de acordo com a própria realidade, 
descartando-se o sujeito cognoscente. 
Todavia, não podemos deixar de reconhecer que a contribuição fornecida por 
Malinowski foi muito rica, quando comparada aos trabalhos realizados anteriormente, porém, 
tornando-se algo, na maioria das vezes, irrealizável. É a ausência do pesquisador na 
elaboração da etnografiaausência que Caldeira (1988) denomina de presença ambígua
porque o etnógrafo revela-se ao outro, revelando também a sua experiência enquanto pessoa.
e como membros de uma determinada cultura. Desta forma, com a prática de campo, no 
entanto, a antropologia adota uma nova postura, quebrando com as concepções que 
dominavam este fazer até então. 
A crítica contemporânea desenvolvida principalmente por autores norte-
americanos ao modelo etnográfico, analisa a maneira pela qual os antropólogos têm aparecido 
em seus textos desde Malinowski, e a relação entre eles e seus sujeitos de pesquisa. Ao criticar 
o tipo de autoria de texto que marca a antropologia nos últimos anos, segundo estes autores, 
quebram-se as condições que permitem a produção de textos comprometidos teoricamente 
com o ideal de verdade do positivismo.
Com a busca de novos referencias teóricos, atualmente 
os antropólogos estão repensando a nova realidade com que se deparam, abrindo-se algumas 
alternativas diferentes e inovadoras em relação ao antigo método e técnicas desenvolvidas por 
Malinowski.
14
No final do século XIX publica-se a obra de Spencer e Gillen (1899) produto de trabalho de campo na 
Austrália, mas não intensivo como a tradição malinowskiana. Malinowski publicou seu primeiro artigo, A família 

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