Estruturais da milonga between chords and verses: from the border identity to the historical and structural


RIHGRGS, Porto Alegre, n. 154, p. 77-88, julho de 2018



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RIHGRGS, Porto Alegre, n. 154, p. 77-88, julho de 2018.

Entre acordes e versos: da identidade fronteiriça

aos aspectos históricos e estruturais da milonga

2 Aspectos estruturais da milonga

Para compreendermos como funcionam os aspectos estruturais da 

milonga, incluindo suas cadências básicas e sonoridade específica, é neces-

sário que conheçamos aspectos da sua instrumentação básica, bem como 

compreendamos o ambiente onde está inserida e as possíveis variantes 

do gênero. Tudo isso molda a forma como a milonga é vista, conhecida e 

interpretada em cada contexto. Ayestarán (1967 apud ESTIVALET, 2017, p. 

55), comenta sobre a importância de percebermos o espaço geográfico que 

ultrapassa as fronteiras políticas, onde o folclore cavalga por cima da geo-

grafia e os mapas político e folclórico não coincidem. Isso estabelece uma 

região cultural que transcende os territórios nacionais, que configura um 

espaço paralelo, transnacional onde a milonga está presente, que abrange o 

Uruguai, parte da Argentina e extremo sul do Brasil. 

 A milonga tanto no ambiente campesino, como no urbano, possui 

em sua concepção de raiz a relação harmônica tônica-dominante (I-V), dos 

graus do campo harmônico maior/menor. Estrutura-se em compasso biná-

rio (2/4) e quaternário (4/4), o primeiro de balanço bastante contagiante e 

pulsante e o segundo normalmente em ritmo mais cadenciado que susten-

ta composições de cunho mais contemplativo e reflexivo. A milonga quan-

do em tonalidade menor ainda possui estruturas cadenciais que envolvem 

os graus V-IV-III-II-I e uma resolução dos graus VI-V-I sempre nas finali-

zações e retorno ao tema inicial.

A instrumentação de base deste gênero envolve o violão, a gaita

4

 e 



um instrumento percussivo chamado bombo leguero. Acredita-se que a ins-

trumentação da milonga tenha sofrido mudanças desde o seu surgimento, 

assumindo algumas especificidades nos países da região do pampa.  No 

Rio Grande do Sul, destacam-se formações instrumentais que envolvem 

violão/voz, violão/gaita/voz, violão/gaita, piano/gaita/violão, leguero/gaita/

violão, contrabaixo acústico/violão, ainda com variações dessas formações 

citadas. Também existem aquelas mais amplas que agregam além dos men-

cionados a inclusão do contrabaixo elétrico, percussão e bateria. 



Figura 2. Alguns instrumentos utilizados nas formações tradicionais e 

atuais da milonga.

4  Também conhecida como acordeom, já no norte e nordeste é chamada de sanfona. 


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