Estágio Supervisionado em História I leandro Correia Pereira



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Estágio Supervisionado em História I

Leandro Correia Pereira

Nova Iguaçu- RJ, 14 de setembro de 2015.

Leandro Correia Pereira

Estágio Supervisionado em História I

Relatório referente ao estágio

Supervisionado I do curso de

Licenciatura em História da

Universidade Estácio de Sá

Campus EAD Nova Iguaçu

14 de setembro de 2015.

Orientador: Profª. Ana Amaral.

Nova Iguaçu

2015

Sumário


  1. INTRODUÇÃO................................................................04

  2. ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DA ESCOLA...05

    1. Aspecto Físico, Humano e Material da Escola...............05

    2. Projeto Político-pedagógico............................................08

    3. A Escola como grupo social............................................09

  3. Atividades docentes e discentes........................................09

  4. CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................12

1- Introdução

Sem sombra de dúvidas minha formação acadêmica pode ser definida entre antes e depois da disciplina de Estágio Supervisionado. Especialmente no meu caso, que sou aluno EAD, ter a oportunidade de “sair um pouco da toca” e respirar o ambiente estudantil enriqueceu minha experiência com uma série de impressões e descobertas que não somente lapidaram diversos paradigmas e planos alimentados por mim, como foram uma lufada de motivação que não poderia ter chegado num momento melhor.

Minha experiência de observação na Escola Municipal Kerma Moreira Franco teve início no dia 26 de agosto de 2015, quando; após ser muito bem recebido pela secretária escolar Sandra Moreira e a diretora adjunta Ana Paula (coincidentemente exonerada no meu primeiro dia.), iniciei sob o acordo de acompanhamento das aulas de História lecionadas ao longo de toda a semana. Uma vez que me encontro com total disponibilidade de horário, não vi motivos para não me propor à uma carga horária de 25 horas semanais, já que isso não somente me possibilitou finalizar mais rapidamente meu estágio, como ter o privilégio de presenciar a metodologia de três docentes distintos e, com isso; obter uma noção mais ampla da questão.

Que fique claro: após ter meu estágio negado por dois colégios particulares da região e ter sido “aceito” numa escola pública na qual teria uma série de restrições em meu trabalho; foi uma grande e ótima surpresa ter uma recepção de braços abertos da parte da equipe do Kerma. Tudo ficou mais fácil quando bati na porta dessa escola: não somente fui orientado sobre como deveria proceder em relação ao processo burocrático na Secretaria de Educação (algo que os manuais e aulas da minha disciplina na faculdade sequer citam, diga-se de passagem.), como não houve qualquer questionamento ou obstáculo posto ao desenvolvimento da minha atividade. Toda a escola, apesar de seu aspecto humilde, foi altamente solícita comigo em cada um dos meus pedidos.

1- ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DA ESCOLA


1.1- Aspecto físico, humano e material da escola
O colégio Kerma possui 20 salas distribuídas ao longo de 2 andares: uma sala de leitura onde são guardados os livros didáticos, a sala dos professores (com banheiro exclusivo, café e biscoitos), duas salas que compõem a secretaria, uma sala para Pré-Escola, uma sala para educação especial e 14 salas voltadas para a educação regular.

No geral, elas são bem estruturadas, limpas e organizadas; exceto pelas salas de aula voltadas à educação regular, que destoam das demais devido a alguns alunos que impedem sua conservação mediante pichações (nas paredes e carteiras.). Todavia, todas tem boa ventilação (não possuem janelas por razões de segurança, e sim bifurcações na parede que dá para o lado externo.) e 2 ventiladores cada, além de serem bastante espaçosas.

No corredor do primeiro andar, existe um bebedouro (praticamente sem pressão.) e, logo ao lado, uma pia com algumas torneiras interligadas por um cano que fornecem água potável.

Os banheiros do pátio, ao contrário do que há na sala dos professores, são lastimáveis. Embora estejam sempre limpos, só possuem os vasos sanitários desprovidos de tampa. Nada de pia ou papel higiênico.

A cozinha, bem como o refeitório, é limpa e conservada. Seus funcionários trabalham sob as devidas condições de higiene e os alunos gostam da merenda feita por eles.

Contudo, algo que realmente me impressionou em toda a estrutura da escola foi sua quadra, que abrange um espaço imenso servindo não só às atividades de Educação Física, como também de pátio ao recreio dos alunos. Embora não possua rede de vôlei, gols para futebol ou cestas de basquete (apenas as tabelas.); apresenta cobertura e um piso adequado.

Do lado de fora, temos 2 portões: o social e o da garagem. Quanto à fachada da escola, precisa de uma pintura e até mesmo um letreiro que identifique seu nome na frente.

Conforme apontei na introdução, todos os funcionários (com excessão de uns dois professores que encontrei.) se mostraram pessoas gentis, alegres e que amam o que fazem. Da portaria à direção, o que vi são pessoas amáveis no trato com os alunos e de boa vontade em serem úteis. A equipe docente é ótima e demonstra realmente compreender os estudantes que tem em mãos (em alguns casos, os professores precisam tirar do próprio bolso para custear certas atividades em sala.).

Quanto aos alunos, refletem bastante dos problemas que assolam nosso país. Em sua maioria, são frutos de lares desestruturados que não possuem qualquer consciência acerca da responsabilidade da família sobre a educação dos nossos jovens; fato que naturalmente lança quase que exclusivamente na escola uma sobrecarga que deveria ser dividida com os pais. São em boa parte agressivos entre si, inquietos e com um déficit assombroso de concentração (neste ponto, entendo que reside a grande causa de seu baixo rendimento nas atividades propostas: a dificuldade com o foco.). Entretanto, não é só poder de atenção que lhes falta, mas também a atenção em si, pois facilmente nota-se que vários deles esperam da escola aquilo o que não recebem em casa. Particularmente, até nas vezes em que me aproximo dos alunos que se mostram mais rebeldes ou que gostam de bancar os “bad boys”, com um olhar e poucas palavras rapidamente consigo ruir o muro que levantam e levá-los à uma conversa centrada e civilizada.

Os números que me foram apresentados (referentes ao turno no qual estou estagiando.) são: 13 turmas (todas girando em torno de 35 a 40 alunos, exceto pelas duas turmas do 9ºano: uma com 24 e outra com 25 alunos.), 411 alunos, 29 professores, 4 auxiliares administrativos, 2 orientadores pedagógicos e 8 profissionais de apoio.

De um modo geral, não há nada de tão emergencial que falte à escola. Apesar das dificuldades provenientes dos poucos recursos; o Kerma se mostra bastante funcional e competente em suas propostas (lembro que estamos falando de uma instituição de ensino que funciona nos 3 turnos: Pré-Escola e Ensino Fundamental 2 no 1ºturno, Ensino Fundamental 1 no 2ºturno e EJA no 3ºturno.).

Exceto pela Pré-Escola, que conta com o recurso audiovisual, o restante das salas de aula apresentam um quadro negro e uma lousa cada.

Os livros didáticos permanecem na escola sendo guardados na sala de leitura e retirados pelos alunos no momento das aulas (exceto nas turmas de 8º e 9º anos, que são mais conscientes acerca do cuidado com o material.).

Cada aluno recebeu da prefeitura tênis, camisa, casaco e calça; porém a maioria nunca vai com o uniforme completo (muitas vezes vão sem peça nenhuma do uniforme.). Embora os pressione quanto ao uso do traje escolar, o colégio acaba sendo permissivo em relação à ausência do mesmo em seus corredores.

Cada aluno também tem direito aos cadernos cedidos pela prefeitura, mas a maioria acaba preferindo comprar fora (acredito que isso ocorra pela qualidade inferior do caderno municipal, que tem capa de papel e não possui espiral; fato que naturalmente impede que tenha muitas páginas e acaba exigindo dos estudantes que quiserem utilizá-lo carregar vários ao mesmo tempo na mochila; problema que um caderno de 12 matérias resolve com mais praticidade.).

As matérias trabalhadas no Ensino Fundamental 2 são: Língua Portuguesa, ILPT, História, Geografia, Matemática, Ciências, Artes, Inglês e Educação Física.

Seria hipocrisia de minha parte negar uma interferência direta dos problemas estruturais tanto no trabalho dos professores, quanto no aprendizado de seus estudantes. Ambos os lados são atingidos pelo desânimo, sintoma típico que o escassez de recursos é capaz de promover em qualquer atividade; porém nada que tenha me impedido de identificar focos de determinação e entusiasmo nas duas esferas. Conforme já relatei, em certos trabalhos os próprios docentes precisam arcar com o custo do material necessário.

2.2- Projeto Político-pedagógico

No dia 26 de agosto, quando iniciei meu estágio, houve a exoneração de uma diretora adjunta. A iniciativa foi parte de uma reformulação na direção e equipe pedagógica da escola, que já havia começado duas semanas antes com a chegada do novo diretor. Desse modo, quando pedi para averiguar o PPP da instituição, não fui permitido fazê-lo e a justificativa apresentada foi justamente essa: com a mudança no quadro administrativo, o PPP também estaria em fase de alteração. As únicas informações de que disponho a respeito partiram das professoras, que me disseram ser o PPP elaborado semestralmente com a participação de todo o corpo docente e também dos poucos responsáveis que comparecem às reuniões. Uma iniciativa bacana que eles vem promovendo como parte integrante de seu PPP é a difusão da cultura africana. Todas as terças-feiras, os professores de História, Português e Artes se unem na aplicação entre as turmas de um trabalho artesanal (em algumas ocasiões, inclusive, já trouxeram voluntários à escola para a ministração de aulas de capoeira e samba.). Eles já realizaram, desde quando cheguei: mosaicos, colares, caixas de presente e bandeiras africanas de cartolina. Além do amor com o qual os docentes administram a atividade, há também grande animação e esmero por parte dos alunos. Embora sejam costumeiramente bastante inquietos, é incrível a maneira como interagem às terças!

2.3- A escola como grupo social


Ouvi algumas críticas duras (tanto de professores, quanto de gente da equipe administrativa) sobre a diretoria anterior e a negligência que teria levado à sua exoneração. Os docentes se queixam da completa falta de cobertura oferecida pela direção anterior, que se eximia ao máximo de qualquer forma de medida disciplinar contra atos de desrespeito e violência da parte dos alunos (entre si e com os professores.). Ainda segundo os relatos que me foram apresentados, raramente os responsáveis eram acionados. Justiça seja feita, a comunidade ao redor da instituição também não demonstra o devido interesse no desenvolvimento estudantil de seus jovens. Existem pais que nunca apareceram no colégio, enquanto há outros que não suportam escutar nenhum tipo de crítica aos seus filhos (por mais evidentes que sejam) sem explodirem para cima do docente. Considerando-se que são raríssimos os alunos que vão às aulas vestidos pelo uniforme completo da escola (isso quando vão com alguma peça do uniforme.), não é difícil deduzir o tipo de zelo que os responsáveis que os veem sair de casa possuem. Portanto, diante do quadro descrito acima, logo concluímos que, exceto pelo caso da educação especial (que é quase que uma realidade paralela dentro do colégio); a antiga administração deixou um legado nada positivo à interação social.

“Esta era uma escola sem regras.”- foi o que me disse o diretor Lenílson Altamiro, um profissional exemplar e inspirador que, com pouco mais de 1 mês na casa, não se furta de buscar o que está ao seu alcance para já implementar medidas que, embora pequenas, começam a dar seus primeiros frutos. Além de estar exigindo a presença do uniforme escolar (inclusive, fez uma nova distribuição de camisas, shorts, calças, casacos e tênis.), também resolveu um problema que parecia não ter solução: a alta incidência de alunos fora de sala durante o período de aula. Algo que cheguei a presenciar em minha primeira semana, mas que; felizmente, diminuiu bastante é o fato de que, devido ao baixo número de funcionários de monitoramento, era muito comum que alguns alunos cuja turma se encontrasse em sala se mesclassem à classe que estivesse fazendo Educação Física na quadra ou, pior ainda, fugissem da escola. Também eram recorrentes os casos de estudantes que, ao término do recreio, se escondiam pelos corredores e quadra. Embora tais problemas não estejam plenamente solucionados, seria desonesto de minha parte negar sensíveis mudanças neste aspecto.

A nova orientadora pedagógica, por sua vez, também tenta implantar novas estratégias. De modo muito inteligente, ela apresentou uma ideia que, estimulando o bom comportamento de forma livre e espontânea, promete à turma que passar o mês inteiro sem ocorrências na direção uma sessão de filme. Diga-se de passagem, eu estava na sala dos professores no dia em que ela pediu a cooperação dos mesmos para que “maneirassem” com a garotada, pois seria preciso que ao menos uma turma conseguisse o prêmio para que a ideia se propagasse e, naturalmente, as demais passassem a se automonitorar no intuito de também merecerem a premiação. O resultado foi excelente. Se antes cada classe colecionava ocorrências na secretaria ao longo do mês, no fim de setembro 7 turmas puderam desfrutar de seu cineminha.

3- Atividades docentes e discentes


Obedecendo ao currículo mínimo estabelecido pelo Estado, os professores aplicam parte do conteúdo do livro Vontade de Saber- 2014/2015/2016 de Marco César Pellegrini, Adriana Machado Dias e Keila Grinberg, mas também elaboram resumos que são expostos na lousa. Além do já citado projeto afro cultural, diversos trabalhos em cartolina com textos manuscritos integram as atividades propostas. Em todos os professores, observei o seguinte padrão de aula: texto na lousa, dissertação sobre o tema exposto, exercícios do livro e correção dos cadernos. Evidentemente, em certas ocasiões a ordem das atividades se alterava ou era preenchida com alguma outra prática mais incomum, como a apresentação de algum trabalho ou revisão para a prova.

4- CONSIDERAÇÕES FINAIS


Alguns pontos são bem preocupantes e extrapolam a barreira da escola ou mesmo do lar. Entendo que muito dos problemas apresentados e enfrentados pelos jovens de hoje, na verdade, integram algo muito maior: uma cultura já consolidada. Cultura esta que alcança a todos, incluindo aqueles que não são preparados para recebê-la. Destarte, o que se vê é uma juventude carente de valores tradicionais cada vez mais escassos como honra, lealdade ou respeito, mas que também não possuem as condições necessárias para entendê-los e assimilá-los sem que tal feito se torne um “trabalho de Hércules”. Observo ao meu redor pessoas que mal conseguem abastecer suas geladeiras, mas que não podem deixar de dar um eletrônico aos seus filhos de tenra idade. Entretidos desde a infância com babás chamadas tablete, celular, TV; enfim, qualquer coisa que mantenha a criança sem chorar ou fazer bagunça, não vejo os meninos e meninas de hoje mais espertos do que os do passado, como muita gente costuma dizer, e sim precocemente violados por mecanismos que agem em suas mentes feito vinho novo em odre velho.

O produto de tal equação não poderia ser outro: crescem com imensa dificuldade de foco e raciocínio, bem como criados por pais possuidores das mesmas limitações (pois assim também foram formados). E, assim que foi iniciada a primeira aula que pude acompanhar, o que presenciei? Jovens que não desgrudam dos celulares, que jogam videogame em sala, que precisam ouvir música o tempo inteiro e, em muitos casos, violentos ou pervertidos. Note que não estou falando de caráter aqui, uma vez que se trata de algo ainda em formação nessas vidas, e sim de deficiências comportamentais que não podem ser ignoradas. Seria mera coincidência a existência de ILPT, matéria relativamente recente em nossos currículos escolares? Comprovadamente é sabido que o Brasil possui índices altíssimos do chamado analfabetismo funcional, coisa que constatei mediante exemplos abundantes e assustadores.



Portanto, termino este estágio sob a certeza de que há muito trabalho a ser feito, mas que há também uma juventude que precisa de muita compreensão, carinho e esmero da minha parte, o que virá a ser minha maior recompensa.




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